



“Não pode acabar. Não pode acabar. Não pode acabar.”
Drew Starkey não se lembra de muitos detalhes do primeiro dia das filmagens de Outer Banks. Mas, como foi há sete anos, isso não surpreende muito. Desde então, ele e seus colegas conquistaram um sucesso meteórico, enfrentaram uma pandemia global e passaram centenas de horas caçando tesouros e fazendo acrobacias de tirar o fôlego.
Mesmo assim, ele guarda na memória a exata sensação que teve naquele primeiro dia. “Eu estava tão animado. A gente era muito jovem, só começando, e estava muito feliz por estar lá”, relembra Drew.
Antes de conseguir o papel de Rafe Cameron, o irmão mais velho de Sarah (Madelyn Cline) e o Kook mais complicado da série, Drew trabalhava como ator e fazia bicos em Atlanta. Como estava acostumado com contratos curtos, conquistar o papel de protagonista da primeira temporada de uma produção foi algo totalmente novo, e ele estava ansioso para aproveitar ao máximo.
“Foi minha primeira vez participando do processo do início ao fim. Antes eu ficava alguns dias ou uma semana e ia embora, então estava empolgado com a possibilidade de ajudar a contar a história inteira”, conta o ator.
Em Outer Banks, esse processo começou antes de as câmeras serem ligadas, e Drew entrou — literalmente — de cabeça. Nas semanas que antecederam o início das filmagens, o elenco fez aulas de natação e navegação em Charleston, na Carolina do Sul.
Pensando nessa época, ele se pergunta se não era só um jeito de manter os jovens ocupados antes de começar o trabalho de verdade, mas os colegas de elenco insistem que havia, sim, uma questão a ser resolvida no mar. De acordo com Chase Stokes, que interpreta John B, “Drew sabia nadar, mas não conseguia ir muito fundo. Isso marcou muito”. “Ele flutua demais”, confirma Jonathan Daviss (Pope).


Independentemente do motivo das aulas, foi na água que o ator conheceu Jonathan, Madelyn e Rudy Pankow (JJ), além de Chase, Madison Bailey (Kiara) e Austin North (Topper), que se juntaram ao elenco pouco depois.
Segundo Drew, foi amor à primeira vista. Juntos, eles começaram a entender e se ajustar à realidade de serem parte fundamental do arco narrativo da série. “Aprendi a controlar meu ritmo. No início, eu chegava com energia demais e ficava esgotado logo. Esta é a parte incrível de trabalhar com TV: as gravações duram sete meses, então é um longo caminho”, afirma o ator.
Ao longo da jornada, o elenco também aprendeu a não se afundar no trabalho e a sempre reservar um tempo para diversão. No caso de Drew, isso significava sair para jantar na cidade onde estavam morando: “Acho que Charleston é minha cidade favorita do mundo pensando em comida, então muitas lembranças minhas têm a ver com jantares com o elenco e novos restaurantes que conheci”.
Nesses encontros, ele formou vínculos fortes com seus adversários na série, os Pogues, inclusive com Chase Stokes. “Drew é um dos meus amigos mais queridos no mundo todo”, compartilha Chase.
Depois de filmar a primeira temporada, o elenco se instalou em Los Angeles. A COVID-19 veio logo depois, o que deixou a amizade entre eles ainda mais forte. O grupo passou a quarentena no mesmo prédio, o que significa que eles estavam juntos quando ficaram famosos.
Drew conta que não era possível saber a dimensão real do sucesso de Outer Banks durante o lockdown, mesmo com todo o burburinho nas redes sociais. “Foi muito estranho a série ter sido lançada nesse período. Muitos amigos e familiares vieram comentar com a gente no primeiro ano, mas não dava para ter noção do que estava acontecendo online”, explica o ator.
A popularidade da série só ficou clara para Drew quando ele conheceu fãs no mundo real: “Lembro que minha primeira experiência com pessoas que assistiram à série foi quando gravamos alguma coisa na Sérvia. Foi quando caiu a ficha de que as pessoas realmente gostaram dela”, relembra Drew.
Apesar de interpretar o personagem mais controverso de Outer Banks, os expectadores adoram Drew. “Ainda bem que tem pessoas que ouvem o Rafe, tentam entender o lado dele e percebem que tudo o que ele faz tem um motivo. É muito bom saber que nosso público consegue entender que uma pessoa pode ter esse nível de complexidade”, diz o ator.
Assim como os fãs, Drew também desenvolveu muito carinho pelo seu personagem, por isso terminar a série foi ainda mais difícil do que imaginava. Ao contrário do primeiro dia no set, ele consegue descrever o último dia em detalhes: “Fiquei arrasado. De verdade. Não achei que ficaria assim. A gente estava filmando em uma pista de aterrissagem. Como eram os últimos dias, tinha muita correria e muita coisa acontecendo. Várias unidades trabalhando, foi um dia cheio, muito maluco”.
A última cena do ator foi uma tomada de transição em que tinha que andar pela floresta e, ao olhar para cima no meio das árvores e ver um avião passando, ele só conseguia pensar: “Não pode acabar. Não pode acabar. Não pode acabar”.

Elenco de Outer Banks com os fãs para uma última comemoração dos Pogues no evento Pogues For Life: A Fan Farewell em Los Angeles, no dia 15 de agosto de 2026.
Mas, de fato, acabou, e a emoção tomou conta de Drew. “Precisei me afastar. Caminhei um pouco para longe de todo mundo e comecei a chorar. Eu senti tudo, o fim. Foi como um luto. Eu tinha passado meus últimos sete anos com essa pessoa, Rafe Cameron, e pensei que era a última vez que ia interpretar esse papel, fingir que era ele e incorporar esse personagem”, confessa.
Ao retornar ao set, os colegas ficaram ao seu lado até o final, como no dia em que se conheceram. Com a equipe, eles superaram a tristeza. “Eu não conseguia parar de chorar vendo o rosto de todo mundo, do elenco até a equipe de bastidores que tornou tudo possível. Eu só sentia gratidão naquele momento”, revela Drew.
Assista às cinco temporadas de Outer Banks, disponíveis na Netflix.







































































