





O final da temporada 2 de Avatar: O Último Mestre do Ar deixou muitas perguntas sem resposta, e nós vamos explorar todas a seguir. Mas, antes disso, precisamos encarar a pergunta mais importante de todas: vai ter mais uma temporada?
Sim! Não só teremos a temporada 3, que também será a temporada final, fechando a saga épica de Aang, como ela já foi gravada logo na sequência da temporada 2. Desde o início, os roteiristas imaginaram a temporada 2 desta releitura live-action da clássica animação da Nickelodeon como o segundo capítulo de uma jornada contínua — uma espécie de ponte que levaria Aang (Gordon Cormier) e seus amigos direto para a temporada 3. Isso tudo antes mesmo de saberem se a terceira temporada de fato chegaria às telas.

A produtora executiva Christine Boylan conta ao Tudum que já tinha deixado a equipe de roteiristas avisada: “Vamos escrever como se houvesse uma temporada 3, aconteça o que acontecer”. Assim que a Netflix renovou a série para as temporadas 2 e 3, a equipe criativa teve a chance de mergulhar na temporada 2 e definir as bases para o que estava por vir.
O produtor executivo Jabbar Raisani descreve as três temporadas como uma história completa de amadurecimento: a temporada 1 apresentou crianças que ainda estavam descobrindo quem eram e a temporada 2 mostrou que o processo de amadurecimento não é linear. Já a temporada 3 vai revelar quem essas crianças se tornaram — ainda que, no início, os personagens estejam fugindo do próprio destino. “Só assim é possível se tornar, por inteiro, quem você realmente é”, explica Christine Boylan.
Mas, antes, os heróis terão que sobreviver ao momento mais sombrio da jornada até aqui: Ba Sing Se foi dominada, Zuko (Dallas Liu) escolheu ficar do lado de Azula (Elizabeth Yu) e o Avatar jaz imóvel nos braços de Katara (Kiawentiio). Continue lendo para mergulhar no episódio final da temporada 2, que abalou as estruturas e deixou algumas pistas do que pode acontecer na próxima temporada.
Depois de se recusar a matar Azula durante a batalha, Aang é atingido ainda no Estado Avatar. Katara corre até ele e usa a preciosa água que coletou no Oásis Espiritual para tentar salvá-lo, mas não fica claro se o jovem sobrevive ou não.
A situação é mesmo preocupante?
“Demais. Tem muita coisa em jogo”, diz o ator Gordon Cormier ao Tudum.

Nas palavras de Gordon, Aang “morre ou quase morre, dependendo de como você interpreta a situação”. Mas o perigo vai além de saber se o corpo dele vai se recuperar. Aang foi atacado quando estava no Estado Avatar, então a morte dele poderia encerrar de vez o Ciclo Avatar — aniquilando o maior símbolo de esperança do mundo justo quando ele é mais necessário.
“Um dos temas da série é a esperança, e o Avatar representa essa esperança. Talvez ela seja esmagada, talvez vença. É isso que torna a temporada 3 tão empolgante”, explica o ator.
Antes mesmo do ataque de Azula, o final da temporada 2 põe à prova o compromisso de Aang com os valores dos Nômades do Ar, que ele vinha tentando honrar com todas as suas forças. Diante da chance de matar Azula, ele recua e escolhe outro caminho. Segundo Christine Boylan, Aang jamais poderia agir de outra forma. “Matar Azula naquele momento não seria algo que combinaria com ele”, afirma.
Gordon concorda: “Aang acredita que todas as vidas são sagradas. Ele é pacifista, não come carne e provavelmente é a pessoa que mais se opõe à ideia de matar outras pessoas em todo o universo de Avatar. Ele é o último dobrador de ar, possivelmente o último monge. A pressão para honrar o que aprendeu é tão forte que ele não consegue dar o golpe final”.
A escolha de Aang pode até preservar os ideais do personagem, só que também acaba abrindo caminho para o contra-ataque de Azula. Se Aang despertar na temporada 3, Gordon acredita que ele terá de lidar com muito mais do que os ferimentos físicos.
“Ele vai enfrentar desafios enormes: lembrar quem é e aceitar que poderia ter morrido no Estado Avatar, encerrado o Ciclo Avatar”, explica o ator.
Por um breve instante, parecia que Zuko enfim estava pronto para começar uma nova jornada.
Quando ele e Katara ficam presos, Zuko abre o coração e fala da própria dor, e a jovem quase usa a água do Oásis Espiritual que vinha guardando para curar a cicatriz dele. A conexão entre os dois faz Katara confiar o bastante em Zuko — a ponto de imaginá-lo lutando contra Azula, convencendo os outros a confiarem nele também.
Só que Azula oferece a Zuko a única coisa que ele sempre quis: um caminho de volta para casa.

Segundo Dallas Liu, a decisão de Zuko exemplifica o conflito que sempre definiu o personagem. Um caminho leva até Iroh (Paul Sun-Hyung Lee), ao Avatar e ao que Zuko entende, cada vez mais, ser o certo. O outro caminho leva de volta à Nação do Fogo, à família que ele conhece e à vida que ele passou anos tentando reconquistar.
Dallas explica que, quando é obrigado a tomar uma decisão, Zuko “fica perdido e escolhe o que parece seguro. A conversa com Katara não fez diferença nenhuma. Para Zuko, a família vem em primeiro lugar. Os laços de sangue são mais importantes”.
Para Elizabeth Yu, esse apego à família é algo do qual nenhum dos dois irmãos consegue se livrar com facilidade. “É difícil arrancar isso de alguém, ainda mais depois de todos os traumas que os dois viveram. Existe uma ligação profunda ali”, diz.
A situação de Zuko fica ainda mais dolorosa quando Katara o confronta. Ele insiste que mudou, mas não está sendo totalmente sincero. Dallas explica que, quando Zuko declara ter mudado, ele dá a entender que está voltando a ser quem era — quando, na verdade, o que ele quer dizer é que está voltando para casa.
Kiawentiio descreve a decisão de Zuko como uma gigantesca traição. Para confiar nele, Katara precisou baixar as defesas que ergueu ao longo de anos de muitas perdas, e agora a virada dele a faz questionar tanto Zuko quanto a si mesma.
“Ela confiava tanto nele que quase usou a água mágica do Oásis Espiritual, que guardou a temporada inteira, para curá-lo. Se tivesse feito isso, quem sabe o que seria do Aang”, diz Kiawentiio.
Desse modo, aquilo que poderia ter curado Zuko acaba se tornando a única chance de sobrevivência para Aang. E, segundo Kiawentiio, isso vai ganhar ainda mais peso lá na frente.
O confronto deixa quase todos emocionalmente exaustos, mas Azula chega ao fim da temporada 2 certa de que venceu.
Ela trouxe Zuko de volta, derrotou o Avatar e mostrou ao pai, o Senhor do Fogo Ozai (Daniel Dae Kim), que é capaz de conquistar aquilo que o irmão não conseguiu. Elizabeth Yu resume o estado de espírito de Azula em uma frase: “Olhe bem para o que eu fiz, pai. Eu consegui”.

Triunfante, Azula retorna ao palácio com mais uma missão cumprida e um novo motivo para começar a arquitetar seus próximos passos. Só que, para alcançar isso tudo, ela precisou enfrentar o irmão — o mesmo irmão que ela acabara de reconquistar.
Elizabeth conta que gravar o confronto entre os irmãos permitiu que ela e Dallas unissem o conflito emocional de Azula e Zuko aos movimentos e às formas que os dois usam para dobrar o fogo. Dallas contou com os anos de experiência nas artes marciais e em cenas de ação, enquanto Elizabeth construiu a sequência a partir das emoções que movem Azula.
“Ele domina uma linguagem que eu não conheço e foi muito generoso ao me ajudar a entender que boa parte dos nossos personagens se revela no jeito como eles lutam e dobram o fogo. Ele conectou o ponto emocional da cena a um movimento, e aquilo me deixou de queixo caído”, relembra Elizabeth.
A batalha que resulta disso deixa claro que Zuko e Azula podem até compartilhar o mesmo sangue, a mesma história e os mesmos traumas — só que reagem de maneiras muito diferentes à violência. Zuko fica horrorizado quando Aang é ferido. Azula, por sua vez, sequer pensa duas vezes.
A produtora executiva Christine Boylan promete que a trama de Azula vai pegar fogo na próxima temporada: “Eu estava animada com a história dela na temporada 2, e agora estou obcecada pela história dela na temporada 3”.
Aang não é o único do grupo cujas escolhas no episódio final terão um impacto real no que ainda está por vir. Separada dos amigos e capturada, Toph (Miyako) percebe que o metal contém vestígios de terra e se torna a primeira dobradora de terra capaz de dobrar metal.
Miyako ficou tão empolgada quando a icônica cena apareceu no roteiro que mandou um e-mail para Christine Boylan só para agradecer. “Fiquei um pouco triste por não estar com Aang e o resto do pessoal, mas é importante que Toph tenha uma missão só dela. A relação com a família pesa muito em algumas decisões, e é por conta disso que ela acaba trilhando um caminho que desemboca na dobra de metal”, conta.

Longe dos amigos, Toph é obrigada a encarar a complicada relação que tem com os pais, principalmente com a mãe. “Toph ama a família, mas, quando teve que escolher, decidiu ajudar a salvar o mundo. Foi o melhor para ela”, diz Miyako.
Com a dobra de metal, Toph ganha uma alternativa e uma nova fonte de confiança — só que isso não vai resolver as questões do passado, muito menos os conflitos que ela tem com a família. Toph chega à temporada 3 carregando uma culpa da qual ainda não sabe como se livrar.
“Ela não sabe como contar isso aos amigos, mas vem canalizando essa culpa na dobra de terra e na dobra de metal. E, no meio disso tudo, ela segue tentando apoiar Aang”, explica Miyako.
A descoberta de Toph também abre caminho para mais cenas com a dobra de metal, tão aguardadas pelo público. Segundo Miyako, ser a única dobradora da sua época a criar uma disciplina totalmente nova acaba abrindo espaço para momentos muito divertidos e famosos entre os fãs.
No início do episódio final, Katara está disposta a acreditar nas pessoas: na possibilidade de Zuko ter mudado, nas habilidades de Aang para vencer e na própria capacidade de proteger os dois. Mas, ao fim do episódio, essa confiança está abalada.
Além da traição de Zuko e da aparente morte de Aang, Kiawentiio indica que as experiências de Katara como a Dama Pintada também representam parte do peso emocional que a personagem vai carregar daqui para frente. “São muitos traumas em pouco tempo. Na temporada 3, tudo isso vem à tona. Há muita insegurança, muita dúvida sobre si mesma e muitas projeções nos amigos. Uma grande tempestade está se formando para Katara”.
Os sentimentos de Katara por Aang prometem deixar essa tempestade ainda mais agitada. Segundo Gordon Cormier, o laço entre os dois fortaleceu Aang ao longo da temporada — mesmo que ele ainda não consiga colocar em palavras o que sente.

“Aang não sabe flertar. Ele tem zero habilidades para isso”, brinca Gordon. No entanto, a questão maior é uma de prioridades: Aang acredita que viver um romance pode impedi-lo de se concentrar na responsabilidade que tem com o mundo.
“A amizade dela o deixou mais forte. A Katara deu a ele força e motivação”, diz Gordon.
Enquanto isso, Sokka (Ian Ousley) passa boa parte do confronto final longe dos amigos com quem costuma lutar. Ian conta que, no começo, teve a mesma reação que imagina que alguns espectadores terão: “Sokka sai de cena logo no início? Sério?”
No entanto, a decisão de Sokka de proteger o Rei da Terra Kuei (Justin Chien) acaba servindo para fechar com chave de ouro sua jornada de liderança na temporada 2. Ele confia nos amigos para cuidar da batalha e, enquanto isso, assume a responsabilidade por alguém mais vulnerável — por mais que ele possa vir a se arrepender dessa decisão.
“Ele pode ter dificuldade em lidar com a decisão que tomou e com o que significa ser um guerreiro, um homem e um irmão mais velho para Katara e Aang. Talvez sinta que decepcionou Aang, e isso pode estar machucando Sokka no começo da temporada 3”, diz Ian.
A temporada 2 de Avatar: O Último Mestre do Ar já está disponível, só na Netflix. Acompanhe o Tudum para saber quando a temporada 3 vai chegar.

























































































