Dubladoras Arden Cho e EJAE falam sobre Rumi de Guerreiras do K-Pop - Netflix Tudum

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    Nada vai apagar o brilho de Rumi em Guerreiras do K-Pop

    No centro do fenômeno mundial está uma heroína com um coração de ouro. 

    Texto original de Alex Frank
    30 de out. de 2025

Para fãs de Guerreiras do K-Pop — o sucesso de animação que quebrou recordes de streaming no mundo todo — é quase impossível não se emocionar com a heroína Rumi e a relação profunda que ela tem com a própria voz. Mas para a dubladora Arden Cho, que dá vida à personagem na versão em inglês, assumir o papel da caçadora de demônios e vocalista principal do grupo feminino de K-pop HUNTR/X não foi tão fácil assim. “Na verdade, fiz o teste para o papel de Celine, a figura materna de Rumi. Então quando me disseram que eu iria interpretar a protagonista, fiquei em dúvida se eu era a pessoa certa. Será que sou legal o suficiente para ser a Rumi?”, lembra Arden Cho. Era a primeira vez da atriz como dubladora em um longa-metragem, e a ansiedade bateu forte. “Senti bastante nervosismo, incerteza e muita pressão porque Rumi é a maioral, ela é uma estrela. Eu tinha a sensação de que precisava ser perfeita”, acrescenta.

É claro que Arden, que também participou de Teen Wolf e das séries HierarquiaAvatar: O Último Mestre do Ar, dá vida a Rumi com muita inteligência, sagacidade, senso de humor e uma vulnerabilidade impactante. No fim das contas, sua preocupação em fazer tudo perfeito foi um aquecimento para o papel: a verdadeira essência de Rumi não é a perfeição, e sim a busca impossível por tentar ser impecável, mesmo quando a realidade é bem mais complicada. “Ela tem que esconder seus defeitos e ser perfeita. Ela precisa ser a líder, ser boa em tudo. Sinto que isso é uma questão cultural também, porque cresci com pressões parecidas. E acho que quando você cresce sentindo que precisa ser perfeita, não sobra espaço para descobrir quem você é de verdade. Rumi está tentando descobrir isso por conta própria”, analisa a atriz.

Arden Cho na cabine de gravação dublando Rumi.

Arden Cho na cabine de gravação dublando Rumi. 

Foto de Ricky Middlesworth

No filme, idealizado por Maggie Kang, que também assina a direção ao lado de Chris Appelhans, Rumi tem uma enorme diferença em relação às outras integrantes do grupo, algo que precisa esconder até mesmo das pessoas mais próximas: ela própria é parte demônio. Embora consiga guardar esse segredo de todos sendo uma das maiores estrelas do K-pop, Rumi possui uma linhagem oculta. Por um lado da família, ela descende dos mesmos predadores de outro mundo que ela e as amigas, Mira e Zoey, foram treinadas para combater. “Ela passa a maior parte da vida se esforçando muito para se curar dessa parte que a envergonha, o que é admirável, mas também é triste”, diz Chris Appelhans. No fim, Rumi consegue transformar seu segredo em uma força. “Ficamos muito intrigados com a possibilidade de explorar os demônios internos, porque acho que é algo que todo mundo tem. É aquela voz na nossa cabeça que fica dizendo coisas negativas quando não queremos ouvir. E ela nunca desaparece, sempre vai estar lá. A ideia de Rumi ter um demônio interior que era de verdade foi muito interessante. Queríamos dizer para as pessoas que elas podem escolher como viver a vida, mesmo tendo essa vozinha chata”, comenta Maggie Kang.

Arden Cho dá vida apenas a metade da identidade de Rumi. Para as canções em inglês, os criadores chamaram a cantora e compositora EJAE, nascida Kim Eun-jae, que não só dá voz a Rumi nos diversos segmentos musicais do filme, como também coescreveu as melodias e letras de alguns desses sucessos. Isso inclui “Golden” (“Brilho” na versão brasileira), o hino ao empoderamento das HUNTR/X, que alcançou o topo das paradas em mais de 15 países, incluindo os EUA. A faixa surgiu de forma muito despretensiosa. “Eu estava a caminho do dentista e veio uma melodia na minha cabeça. Eu sabia que precisava registrar e gravei no meu celular. Momentos como esse são um milagre na vida de uma compositora”, lembra. O que começou como uma simples gravação de voz hoje é uma música que transcende fronteiras, com versões em outros idiomas, e que conquistou um lugar especial no coração de fãs do mundo inteiro. “Quando estou no TikTok e vejo gente que nunca vi, em suas casas, cantando músicas que nós escrevemos... Não tem como explicar. Eu me sinto totalmente conectada a pessoas que nem conheço. E é uma música tão cheia de esperança. Precisamos de esperança nesse momento”, reflete EJAE.

Rumi sobrevoando a multidão em um show em um aro dourado.

EJAE, que atualmente mora no Brooklyn, em Nova York, nasceu em Seul e chegou a se preparar para ser uma artista de K-pop, passando pelos famosos e rigorosos programas de treinamento que envolvem desde canto e dança até produção musical. Embora tenha se mudado para Nova York para seguir carreira de forma independente, essas experiências iniciais no entretenimento coreano a ajudaram a entender Rumi, que é uma superestrela do K-pop, com muito mais profundidade. “É um cenário muito competitivo. Não podemos demonstrar fraqueza. Temos que dar o nosso melhor o tempo todo. Cantar e dançar com perfeição, ter uma aparência impecável... Acho que isso me fez reprimir muitas das minhas inseguranças, mas isso só faz a insegurança aumentar, então tento trazer essa emoção nas músicas e nas letras", comenta.

No clímax da jornada de Rumi, quando ela precisa aceitar as suas próprias imperfeições pela última vez para vencer os demônios e salvar o mundo, ela canta “What It Sounds Like” (“O Som da Nossa Voz” na versão brasileira), uma música inspiradora para todas as pessoas que já se sentiram diferentes de todo mundo, mas enfrentaram os desafios da vida e saíram vitoriosas. É uma canção sobre encontrar beleza nas imperfeições, que EJAE interpreta com uma intensidade arrebatadora. “Rumi decide que sua missão é reconhecer que todos somos únicos, que cada um de nós é um indivíduo e tem o direito de ser quem é. E é isso que cria harmonia. Ela tenta transmitir essa mensagem vocalmente, cantando com uma voz mais autêntica, encorpada e menos polida do que o padrão característico do K-pop. O que ela está dizendo é: ‘Esta é a minha voz sem as mentiras. Esta é quem eu realmente sou. Esta é a minha aparência.’ Queríamos que fosse quase como um grito de guerra”, explica Ian Eisendrath, produtor musical executivo do filme.  

Rumi cantando no palco

No final das contas, o poder de Rumi não está apenas no quanto ela se esforça para ser extraordinária, mas em como as pessoas se identificam com ela do jeito que ela é. “Maggie criou essa história e tem uma filha. Então, quando ela compartilhou isso comigo, eu pensei no motivo pelo qual me tornei atriz, que é para que um dia meninas como eu não desejem ser alguém diferente, mas queiram ser exatamente quem são”, diz Arden Cho. Nesse sentido, Rumi se torna menos uma personagem e mais uma bússola, uma referência com um alcance que transcende gerações. “Sou muito mais velha que Rumi, mas sinto que ainda é algo de que precisamos nos lembrar: sermos felizes com quem somos e não tentarmos ser outra pessoa. Rumi está lutando para se descobrir e eu amo essa jornada”, conclui.


Este artigo foi publicado originalmente na edição 22 da Tudum Magazine.

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