


O mais novo filme dirigido por Tyler Perry é sobre uma pessoa comum, que pode até ser parecida com uma amiga ou uma vizinha nossa. Janiyah (Taraji P. Henson) é uma heroína clássica de Tyler Perry: alguém que tenta sobreviver a grandes infortúnios. Em Até a Última Gota, a pressão alcança patamares explosivos, levando Janiyah a extrapolar seu limite.
“Ela só está tentando sobreviver e cuidar da filha, mas as circunstâncias da vida a colocam nessa situação. Acredito que muitas pessoas no mundo, mulheres negras ou não, se identificarão com essa sensação de ir até a última gota”, opina Tyler.
Continue lendo para saber mais sobre Até a Última Gota e confira o que o diretor e roteirista Tyler Perry e o elenco têm a dizer sobre o filme, que já está disponível na Netflix.
O caos se instaura pouco a pouco na vida de uma mãe solo que tenta cuidar da filha doente. Levada à beira do desespero por um mundo que se mostra indiferente à sua existência, ela se sente na obrigação de tomar decisões impossíveis em uma sociedade que não oferece uma rede de apoio.
Sim, confira abaixo as primeiras imagens do filme.
Sim, confira o trailer no início do artigo. O teaser mostra Janiyah assaltando um banco em desespero após tentar descontar um cheque. “Eu só queria fazer o melhor possível para minha menina”, diz Janiyah à polícia antes de a tensão disparar.

O elenco de Até a Última Gota conta com:

Taraji está fantástica como Janiyah. O que você tem a dizer sobre a escolha dela o papel, não só como atriz, mas como alguém com uma história para contar?
Taraji é o coração e a alma do filme, pois representa toda a carga emocional dessa mulher que atravessa o momento mais desafiador de sua vida. Ela leva ao público todas as emoções da personagem, comprovando por que é uma atriz brilhante. É impossível tirar os olhos da tela com ela em cena. Quando começo a escrever, o rosto de alguém me vem à mente, e Taraji apareceu com muita clareza. Desde a primeira fala que Janiyah teve no roteiro, pensei nela e torci para ela topar. Depois que enviei o roteiro, Taraji me respondeu dizendo que havia adorado e aceitaria o papel.
Como Sherri Shepherd e Teyana Taylor entraram para o elenco?
O filme representa três tipos de mulheres negras que percorreram caminhos diferentes na vida e alcançaram níveis diferentes de sucesso, mas que ainda são capazes de ter empatia umas pelas outras. Escolhi Sherri Shepherd para o papel de Nicole porque ela é uma atriz fenomenal para dar vida a essa mulher. Desde sua atuação em Preciosa - Uma História de Esperança anos atrás, eu sabia que ela seria capaz de assumir um papel dramático. Fiquei superfeliz quando ela topou o desafio.
E eu já havia trabalhado com Teyana Taylor em Madea’s Big Happy Family. Por já ter colaborado com essas três atrizes, eu sabia o que elas ainda tinham para mostrar ao mundo. Colocar Teyana para interpretar uma policial empática, que se conecta e se importa com o peso que a personagem de Taraji carrega nos ombros ao longo de toda a trama, foi comovente, necessário e crucial para o tipo de história que estamos contando.
Como essas personagens interagem entre si?
É bom ser claro quanto a isso: Taraji e sua personagem são a força motriz de todo o filme. Mas o apoio das demais é importantíssimo para o avanço da história e para entendermos que Janiyah não queria chegar a esse ponto. A vida, as situações e as circunstâncias simplesmente aconteceram. E é preciso ter todas essas mulheres, com seus papéis e suas experiências, para contar essa história.
Até a Última Gota é um belo exemplo de que nunca sabemos pelo que as pessoas estão passando. O que você espera que o público absorva da história?
Quando escrevo, não me proponho a ensinar nada nem a fazer o público refletir. Minha intenção é só colocar a história no papel da forma que vier. Mas, se os espectadores concluírem que todo mundo está passando por algo, todo mundo tem uma história e um sorriso ou uma pequena gentileza pode fazer a diferença na vida de alguém, essa é uma mensagem que eu adoraria passar.

Janiyah é tratada com indiferença o tempo todo. Você pode falar um pouco mais sobre isso?
Janiyah tem duas cenas marcantes em que diz “Eu faço tudo sozinha. Tudo, tudo nessa vida eu faço sozinha!” e “Ninguém se importa. Ninguém enxerga a gente”. Uma quantidade absurda de pessoas no mundo se sente assim, especialmente quem se parece com a personagem e está na mesma posição dela.
Janiyah só está tentando sobreviver e cuidar da filha, mas as circunstâncias da vida a colocam nessa situação. Acredito que muitas pessoas no mundo, mulheres negras ou não, se identificarão com essa sensação de ir até a última gota.
Por que é tão importante para você dar destaque a personagens como essas?
Parando para pensar, quando tivemos personagens assim? Em qual filme tivemos uma Janiyah, uma Nicole ou uma detetive Raymond? Em qual filme acompanhamos as batalhas que elas enfrentam? Quando temos a oportunidade e a plataforma para contar uma história, seja para ensinar algo ou não, é preciso ter a consciência de que as pessoas aprenderão algo com isso. Considerando a profundidade e a força dessas imagens, acredito que o público assistirá à história de pessoas de verdade.
E eu sei que há muitas Janiyahs por aí.

Qual é a temática de Até a Última Gota?
Até a Última Gota conta a história de uma mulher que chegou ao limite em um dia infernal. Não sei se alguém já teve um dia em que se perguntou: “O que mais pode acontecer?”. Aquele dia em que tudo o que poderia dar errado realmente sai dos trilhos. É uma trama que mostra como as pessoas reagem em um estado extremo de pânico, ansiedade e pressão. O que acontece quando pinga a gota d’água que faz tudo transbordar? Como isso acontece e como afeta quem está ao redor?
Fale um pouco sobre Janiyah, sua personagem.
Janiyah é uma mulher sem voz. Ela nunca teve permissão para encontrar essa voz e tenta sobreviver sem chamar atenção. No fundo, eu nem acho que ela queira ser vista por muita gente. Janiyah só quer fazer o melhor possível pela filha e viver em paz. Existe muita gente assim no mundo. Para mim, o que a mantém viva é a filha, sua fonte de senso de pertencimento. É a filha que a faz se sentir alguém, pois foi a menina que trouxe vida ao mundo dela, e ela leva isso muito a sério. Embora Janiyah não tenha muita coisa, tudo o que tem ela dá à filha. Sei que muita gente se identificará com ela e com esse amor de mãe, independentemente da classe social.
Como você entrou para o elenco de Até a Última Gota?
Tyler Perry me ligou e disse que tinha um papel para mim. Ele começou a me explicar a história e me enviou umas 30 páginas do roteiro. Depois que li, disse para ele que estava convencida. Sou uma grande fã de Tyler Perry e de tudo o que ele faz. É o quarto filme em que colaboramos. Adoro trabalhar com ele, então fiquei animada quando ele me trouxe a ideia de Até a Última Gota.
O que atraiu você para o projeto?
Foi a ideia de interpretar Janiyah, uma mulher invisível para todo mundo. Trabalho bastante com bem-estar mental, e Janiyah é uma personagem muito interessante para demonstrar que nem sempre um surto é uma questão mental. No filme, é apenas uma mulher que chegou ao limite. E, do jeito que o mundo caminha, com tudo ficando mais caro e o desemprego cada vez maior, o que acontece com alguém invisível? Acho o máximo como Tyler nos leva para o mundo dessa pessoa e como nós embarcamos nessa viagem.
Estou sempre atenta à forma como trato as pessoas, pois nunca sabemos o fardo de cada um. Só porque Janiyah é mais discreta, calada e sem uma grande personalidade, pode-se dizer que ela é alguém real, com um peso enorme nas costas. Por isso, eu sempre pendo para o lado da gentileza, já que nunca se sabe pelo que o outro está passando. O tom do seu “Oi”, o fato de você não segurar uma porta para alguém ou a maneira como você recusa algo pode levar alguém ao limite. Achei interessante poder explorar isso, considerando que é algo que pode acontecer com todos nós.

Como suas experiências pessoais ajudaram a dar vida a Janiyah?
Por ser mãe solo, compreendo profundamente os desafios de Janiyah. Ela está fazendo o melhor que pode com o pouco que tem. O que falta a ela em oportunidade sobra no amor pela filha. Ela passa por poucas e boas, mas a forma como lida com tudo mexeu comigo. É muito fácil que pessoas como ela sejam ignoradas e privadas de direitos pela sociedade. É como se tudo estivesse contra ela, e eu mesma já me vi nessa situação. A sensação era de que eu conhecia Janiyah pessoalmente.
Como é trabalhar com Tyler Perry?
Adoro trabalhar com Tyler Perry e nunca me dou por satisfeita. Eu venho do teatro, então acho que nos entendemos nesse sentido. O ritmo acelerado me encanta. Sei que nem todo mundo dá conta e tenho plena consciência de que não posso fazer isso em todos os projetos, mas amo trabalhar assim com ele. Confio nele de olhos fechados. É um gênio que sabe o que faz. Não sei como ele é capaz de olhar para quatro câmeras diferentes ao mesmo tempo e saber o que está acontecendo em todos os lugares, o tempo todo. Isso me deixa perplexa. Fico maravilhada com a grandiosidade do inigualável Tyler Perry.
Como foi trabalhar com Sherri Shepherd e Teyana Taylor?
Foi a primeira vez que trabalhei com Sherri sob essa ótica dramática, e espero que não tenha sido a última. Foi sensacional trabalhar com ela, especialmente nas cenas mais intensas em que deveríamos desenvolver uma conexão. Sempre considerei Sherri como a engraçada da turma — afinal, ela é comediante —, e acho o máximo quando comediantes assumem papéis dramáticos, pois mandam muito bem. Parabéns, Sherri! Você arrasou.
Teyana trouxe um toque de carinho e atenção a todas as cenas em que aparece. Ela deixou claro por que é tão importante ter mulheres em todas as áreas. Às vezes, quando alguém está passando por alguma dificuldade, o acolhimento feminino faz a diferença.
Na sua opinião, com o que o público mais se identificará nesta história?
Acho que a maior fonte de identificação serão as batalhas de Janiyah. Todo mundo já esteve em uma situação em que não se sentiu ouvido, compreendido, com um ruído na comunicação que, de repente, transforma algo pequeno em um problema gigantesco. Acredito que muita gente, em todos os lugares do mundo, se identificará com isso. É universal.
Qual lição você espera que o público aprenda com Até a Última Gota?
De coração, espero que o filme mostre ao público o que é empatia, porque nunca se sabe pelo que o outro está passando. Não dá para julgar alguém só pela aparência. É preciso conhecer a pessoa de fato e, para isso, é fundamental ouvi-la e entendê-la. Quando entendemos o outro, a empatia vem à tona. Espero que as pessoas aprendam essa lição, pois vivemos em um mundo em que isso é mais necessário do que nunca.

Fale um pouco sobre Nicole, sua personagem.
Nicole Parker é gerente de uma agência do Banco de Investimentos Benevolent. Ela está disposta a ajudar as pessoas e quer fazer a diferença, mas sente que não consegue. Quando Janiyah entra no banco carregando o mundo nas costas, Nicole se sente atraída e deslocada do mundo de classe média que conhece. Ela enxerga Janiyah como alguém real e se sente capaz de fazer a diferença na vida dela.
Como você entrou para o elenco de Até a Última Gota?
Tyler Perry me enviou uma mensagem durante a produção do meu talk show. Eu não tinha disponibilidade para gravar, mas, depois que ele me contou como era a personagem e que li o roteiro, implorei à produção para antecipar minha liberação do programa. Até disse para eles que a cadeira podia ficar vazia. A negociação deu certo, e pude participar desse projeto incrível.
O que atraiu você para o projeto?
Adorei o fato de o projeto ser sobre uma mulher sem trégua. Conheço mulheres assim no meu círculo próximo e senti que Tyler estava contando a história delas. E Nicole me chama muita atenção por ser parecida comigo: uma pessoa carinhosa, disposta a fazer a diferença, sempre tentando resolver os problemas e que até se sacrifica às vezes. O roteiro me tocou. Além disso, queria muito contracenar com Taraji e Teyana Taylor, então esse foi outro ponto alto do projeto para mim. Não foi difícil aceitar.
Como foi trabalhar com Taraji P. Henson?
Taraji é uma atriz excelente. Contemplar a atuação dela é como assistir a um show de perto. É de tirar o fôlego a interpretação que ela foi capaz de fazer de uma mulher que já encontrei tantas vezes na vida. Ela é fenomenal ao se despir da Taraji que conhecemos para encarnar uma personagem tão visceral. É muito real.
Como foi trabalhar com Teyana Taylor?
Foi maravilhoso trabalhar com Teyana. Ela deu seriedade à detetive Raymond, a negociadora. Nunca trabalhei com alguém que usasse tanto gloss. [Risos.] Eu brincava com ela: “Menina, e essa calça de yoga? Que reféns você vai tirar do banco com esse look sexy à la Dinastia?” O banco ficaria vazio assim que a detetive Raymond chegasse com essa calça!
Com o que você acha que o público se identificará em termos dos desafios éticos e pessoais da personagem?
Acredito que o público vai se conectar com a autenticidade de Taraji, com os problemas da vida real pelos quais ela está passando. Muitas mulheres se sentem invisibilizadas, não reconhecidas e sem trégua, independentemente do que façam. Acho que muitas mulheres vão sentir uma ligação com Taraji e se inspirar na resiliência e na capacidade dela de dar a volta por cima. Ela não se deixa abater.
Qual lição você espera que o público absorva de Até a Última Gota?
Nunca desista, nunca se deixe levar nem se distancie do seu caráter, do seu centro moral. Às vezes, as coisas não seguem o caminho desejado, mas não é sinal para desistir.

Como você descreveria sua personagem, a detetive Raymond?
Ela é uma excelente policial e atua de forma bem justa no caso, com bastante intensidade, compaixão e empatia. Identifico muito de Raymond em Janiyah e vice-versa, pois ambas são mães solo, filhas de mães solo. Por isso, ela é capaz de ser empática e solidária com Janiyah.
Como você entrou para o elenco?
Tyler Perry me mandou uma mensagem pedindo para ligar para ele. Fiquei superanimada e retornei o contato na hora. Ele disse que tinha um papel para me oferecer e que sabia que eu arrasaria. Depois de ler o roteiro, fiquei empolgada, pois era uma personagem diferente para mim. Eu tenho sido bastante estratégica e criteriosa quanto aos papéis que aceito, e esse me deixou muito feliz.
Como é trabalhar com Tyler Perry?
É um sonho. Com Tyler Perry, tudo é muito rápido. Ele vai fazer a cena e pronto, mas não é de qualquer jeito. Se ele acredita que está bom, segue adiante. Trabalhamos juntos pela primeira vez quando eu tinha 19 anos em Madea’s Big Happy Family. Foi um dos meus primeiros grandes filmes. Fico feliz por ele reconhecer o quanto eu cresci.
A maioria das suas cenas com Taraji P. Henson é pelo telefone. Como foi trabalhar com ela desse jeito?
Foi uma loucura! Apesar de termos contracenado pouco, ela é fantástica e me ajudou bastante do ponto de vista emocional. A voz dela ecoa na minha cabeça. Só leio as falas no roteiro e sei que Taraji está arrasando, dando tudo de si, e isso já me dá a energia de que preciso. É como se ela estivesse presente sem estar lá.
Na sua opinião, com o que o público mais se identificará nesta história?
Acredito que cada personagem gera uma identificação muito particular no público. A obra deixa claro que nunca sabemos quais desafios as outras pessoas estão enfrentando. No fim das contas, o filme mostra que todos somos humanos, sangramos, temos nossos traumas individuais, nossas lutas. Acima de tudo, precisamos demonstrar mais gentileza, compaixão e empatia.
Até a Última Gota já está disponível na Netflix.























































