





Quando o inspetor-chefe Carl Morck (Matthew Goode) assume o comando de uma unidade recém-criada para investigar casos arquivados na Escócia, ele não tem a menor intenção de resolver nada. O Departamento Q, que dá nome à série, é uma jogada de relações públicas para a polícia de Edimburgo. E seu líder improvável, Morck, é um policial sem papas na língua que tenta se recuperar, de forma nada tranquila, de um tiroteio brutal.
Para a chefe dele, Moira Jacobson (Kate Dickie), a função é basicamente um trabalho de babá. Mas o destino tem outros planos para Carl Morck. “Ele encontra um caso de quatro anos atrás. Alguém caiu de uma balsa, e eles até hoje não conseguiram entender por que ou como isso aconteceu”, conta Matthew ao Tudum.
Esse alguém é Merritt Lingard (Chloe Pirrie), uma advogada cuja história se entrelaça ao início da investigação de Morck no primeiro episódio da série. Em pouco tempo, o inspetor-chefe reúne uma equipe de desajustados e mergulha fundo no mistério do desaparecimento de Merritt, mesmo em meio às questões da própria vida, que não anda nada fácil. Um dia como qualquer outro no Departamento Q.
Continue lendo para descobrir a verdade sobre o que aconteceu com Merritt Lingard e entender como Carl Morck monta uma equipe capaz de salvá-la.

Dept. Q já começa num momento tenso: Carl Morck e seu parceiro, James Hardy (Jamie Sives), são baleados enquanto investigam a cena de um crime. Os dois sobrevivem, mas um policial novato morre e Hardy fica gravemente ferido, sem conseguir andar. Ao assumir o caso de Merritt Lingard, Morck continua revivendo os acontecimentos daquela manhã, lutando para lidar com o Transtorno de Estresse Pós-Traumático e a culpa por ter sobrevivido. Nem as sessões de terapia com a Dra. Rachel Irving (Kelly Macdonald) parecem ajudar muito.
A série não chega a responder diretamente quem atirou em Morck nem por quê, embora uma sequência de um sonho levante algumas possibilidades. Mas o inspetor-chefe consegue montar uma teoria: na verdade, os tiros foram dados por dois criminosos que queriam desviar a atenção do crime real, o assassinato do jovem policial. Pela lógica de Morck, o assassino não teria motivo para voltar à cena e muito menos para fugir enquanto ele e Hardy ainda estavam vivos. A menos, é claro, que tudo fosse uma encenação para esconder a verdadeira motivação. A polícia foi atraída até o local por uma armadilha, a partir de uma denúncia feita pela suposta filha da vítima. Só que essa filha nem existia. Ao compartilhar essa teoria, ele finalmente encontra um pouco de paz em meio ao caos. No fim da série, Moira encarrega o próprio Hardy de verificar os fatos.

A história do desaparecimento de Merritt Lingard parece simples: ela sumiu durante uma viagem de balsa com o irmão, William (Tom Bulpett), uma pessoa com deficiência. Será que ela caiu no mar? Foi empurrada? Antes de desaparecer, Merritt foi vista discutindo com William, que estava bastante alterado. Será que ele teve alguma coisa a ver com isso?
Morck e seu novo assistente, Akram (Alexej Manvelov), investigam essas possibilidades e muitas outras. Akram é um especialista em TI que foi designado para o Departamento Q basicamente para sair do pé de Moira. Mas ele também é um expatriado sírio com um passado misterioso, algo que acaba se revelando um grande trunfo para a unidade recém-formada. É ele quem defende o caso de Merritt com unhas e dentes, argumentando que a conta não fecha: o corpo nunca apareceu na costa, e uma advogada influente como ela podia facilmente ter colecionado inimigos.
O inspetor-chefe e o time logo encontram algumas pistas. A primeira é um homem usando um chapéu misterioso com a imagem de uma ave, desenhado por William Lingard, que não fala. Depois de conversar com Claire (Shirley Henderson), a governanta da família Lingard, e com Stephen Burns (Mark Bonnar), chefe de Merritt e procurador-geral, a equipe do Departamento Q se convence de que a mulher desaparecida foi sequestrada, e não jogada no mar.
No caminho, a equipe também cai em algumas pistas falsas. A detetive Rose Dixon (Leah Byrne) confunde a ave desenhada por William: ela acha que é um boobrie, que dá nome ao barco de Jamie, pai de Merritt e William. Na verdade, a ave é um biguá. Ops.
A equipe também explora a ligação de Stephen Burns com o rico empresário Graham Finch (Douglas Russell). Antes de desaparecer, Merritt era a promotora responsável pelo caso em que Finch era acusado de matar a esposa, mas não conseguiu uma condenação. Morck e Akram encontram provas de que Burns pressionou a subordinada a não convocar uma testemunha que poderia ter virado o caso a favor dela.
Finch não gosta nem um pouco de ver a equipe se metendo em seus assuntos e manda capangas intimidarem Jasper (Aaron McVeigh), o enteado de Morck. Mas tudo isso não passa de uma pista falsa. Finch pode até ser assassino, e Burns, corrupto, mas nenhum dos dois teve qualquer relação com o desaparecimento. A verdade é muito mais sórdida.
Morck e Dixon encontram uma pista que parece crucial na busca por Merritt: ela tinha um caso com Sam Haig (Steven Miller), um jornalista já falecido que a procurou para falar sobre corrupção no departamento dela. Mas a investigação logo empaca. Eles não conseguem reconstruir os passos de Sam nos dias que antecederam sua morte durante uma escalada. E, quando descobrem que ele também mantinha outro relacionamento enquanto estava com a mulher desaparecida, a conta não fecha. Sam não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo. A conclusão é inevitável: Merritt não estava se relacionando com o verdadeiro Sam. Estava com um impostor.
Isso se conecta a outro mistério apresentado antes: como William se tornou uma pessoa com deficiência. Em flashbacks, acompanhamos a relação da jovem Merritt com Harry Jennings (Fraser Saunders), o adolescente que mais tarde seria acusado de espancar William até deixá-lo sem falar durante um roubo que deu errado. Mas, nos episódios finais de Dept. Q, descobrimos que quem agrediu o rapaz foi, na verdade, Lyle, o irmão antissocial de Harry. E mais: Merritt ajudou a planejar o roubo frustrado que terminou em agressão com o intuito de ficar com as joias da própria mãe e bancar a fuga daquela ilha sem graça onde vivia. Harry morreu tentando escapar da polícia, e Lyle e sua mãe culparam Merritt por essa morte.
Como o time do Departamento Q logo descobre, tudo no caso gira em torno da relação entre Sam Haig e Lyle Jennings. Eles se conheceram ainda crianças em uma instituição para jovens com problemas de comportamento, e Lyle se apegou a Sam, chegando a chamá-lo pelo nome do irmão. Já adultos, os dois se reencontraram. Então Lyle matou Sam e jogou o corpo de um ponto de escalada conhecido na região. Depois de assumir a identidade do amigo assassinado, Lyle começou um relacionamento com Merritt e, por fim, a sequestrou. Ecoando os abusos cometidos pelo próprio pai, ele a manteve presa dentro de uma câmara hiperbárica, onde ela passou os últimos quatro anos sendo torturada. O cativeiro fica nas instalações da empresa de transporte marítimo da família Jennings, a Shorebird Ocean Systems, cujo logotipo, claro, é um biguá.

Depois de descobrir o endereço da mãe de Lyle, Morck e Akram se deparam com um novo problema: como despressurizar a câmara sem matar Merritt. Enquanto Hardy, ainda em recuperação, orienta os dois pelo telefone, Lyle aparece de surpresa. Em um gesto que fecha o arco da série, Morck leva um tiro no ombro para proteger Akram, que consegue deter o criminoso com a ajuda de seu misterioso treinamento de combate. A Sra. Jennings foge do local e tira a própria vida depois de ser cercada pela polícia. E Merritt, enfim, é retirada da câmara em segurança.
Merritt e William se reencontram, e ela começa a reconstruir a própria vida. Ela nunca chega a conhecer o inspetor-chefe: os dois só se cruzam de passagem na delegacia. Mas Morck tem outros planos. Ele usa o que descobriu sobre a corrupção de Burns para convencê-lo a aumentar o orçamento do Departamento Q, acelerar a promoção de Akram para o cargo de detetive e, claro, conseguir um carro melhor para si.
A cena final é simples: Morck está de volta ao trabalho no porão úmido do Departamento Q e sorri discretamente quando Hardy reaparece de muletas. Um final feliz, dentro do possível. Caso encerrado.
Dept. Q já está disponível na Netflix.
































































