





Desde que estreou, em fevereiro de 2021, Ginny e Georgia vem retratando as formas como adolescentes lidam com questões de saúde mental — e faz isso de uma maneira quase inédita entre as séries de comédia dramática ambientadas no ensino médio. A trama explora problemas reais, como ansiedade, transtorno de imagem e traumas familiares, sem minimizar a seriedade dessas questões. “A série aborda esses temas de um modo respeitoso porque eles são muito reais para os adolescentes, mas sem transformar os episódios em um melodrama ou uma campanha de conscientização. Ela não subestima a inteligência do público. Ao tratar essas questões com esse nível de respeito, carinho e honestidade, é possível extrair uma mensagem profunda e explorar essa realidade sem julgamento ou medo”, afirma Felix Mallard. Ele interpreta Marcus, que tem um namoro de idas e vindas com Ginny (Antonia Gentry).

Ao fim da temporada 2, cada personagem encarava o próprio empasse: incentivada pelo pai, Zion (Nathan Mitchell), Ginny passou a se consultar mais vezes com a Dra. Lily (Zarrin Darnell-Martin) para deixar de se automutilar e encontrar outras formas de lidar com as próprias emoções. Marcus enfrenta dificuldades para seguir em frente à medida que a depressão se agrava, o que acaba levando ao fim do relacionamento com Ginny. A ansiedade de Max (Sara Waisglass) aumenta por conta do término com Sophie (Humberly González) e do clima de hostilidade que se instaura no grupinho MANG. Enquanto isso, Abby (Katie Douglas) e Norah (Chelsea Clark) lidam não só com as consequências dessa crise entre as amigas, mas também com alguns problemas familiares.
Na temporada 3, a situação fica ainda mais complicada. E, com Georgia (Brianne Howey) em prisão domiciliar, os integrantes da família Miller não têm para onde correr e não conseguem fugir dos problemas, que estão cada vez maiores.
“Fico feliz de ver a temporada 3 de Ginny e Georgia abordar questões de saúde mental, como ansiedade e trauma intergeracional e a importância de buscar ajuda. Essas questões foram tratadas com a honestidade e a profundidade que merecem. A série consegue promover conversas importantes ao compartilhar as histórias dos personagens, e isso reduz o estigma e reforça a mensagem de que pedir ajuda é um sinal de força. Aqui na Mental Health America, ficamos honrados em poder dar continuidade à nossa parceria com Ginny e Georgia, pois sabemos que a série é importante para os fãs e ajuda a fomentar a esperança. Os episódios são lembretes de que ninguém está só. Todos nós vamos passar por experiências e emoções difíceis, e podemos ajudar uns aos outros nesses momentos”, afirma Schroeder Stribling, presidente e CEO da Mental Health America.
Quer saber como seus personagens favoritos de Ginny e Georgia estão lidando com os altos e baixos da temporada 3? É só continuar a leitura para conferir as opiniões de Sarah Lampert e Sarah Glinski, as showrunners da série, e dos atores Antonia Gentry, Sara Waisglass e Felix Mallard.

Não é de hoje que Marcus tem desafiado os estereótipos que perpetuam a masculinidade tóxica nas séries, já que as questões de saúde mental do personagem sempre estiveram presentes na história. Afinal, foi justamente isso que levou Felix Mallard a se interessar pelo papel. Mas, segundo o ator, a cabeça de Marcus é uma grande incógnita no início da nova temporada.
Na temporada 3, Marcus começa a beber para tentar lidar com a depressão, mas a coisa sai do controle e Max acaba intervindo. “Ela quer ser uma irmã legal e sabe que, se contar para os pais, pode perder a confiança do irmão”, diz Sara Waisglass. A showrunner Sarah Glinski acrescenta: “Quando alguém está passando por algo assim, é muito complicado saber como ajudar e, além disso, entender a gravidade do problema.” A temporada termina com Marcus e Ellen (Jennifer Robertson) a caminho de uma clínica de reabilitação, e Felix está na torcida para que isso ajude o personagem: “Acho que vai ser bom para ele estar em um ambiente com disciplina e estrutura.”
O problema, para Felix, é a forma como Marcus vai se adaptar à vida após a reabilitação durante a temporada 4. “Voltar para a rotina, retomar relações com pessoas queridas e estar presente de corpo e alma para elas vai ser um desafio”, afirma o ator. A showrunner, no entanto, está interessada em explorar a relação de Marcus com a irmã gêmea, Max: “Ela tomou uma decisão difícil, mas correta, e isso vai trazer grandes consequências para o relacionamento dela com o irmão. Na temporada 4, a gente pode explorar isso mais a fundo.”
Felix espera que, ao retornar, Marcus consiga cultivar um pouquinho de amor-próprio. “No fim das contas, a gente precisa se amar o suficiente para buscar ajuda, ou então reconhecer que temos comportamentos destrutivos, agressivos ou inadequados. Eu espero que Marcus aprenda a se amar o bastante para não ser destrutivo com as pessoas à sua volta, e muito menos com ele próprio”, afirma o ator.
Para Sarah Lampert, a possibilidade de explorar a depressão de Marcus tem sido um processo de escrita muito terapêutico. E não tenha dúvidas: a vivência de Marcus na clínica de reabilitação vai inspirar algumas belas e tortuosas pinturas nas paredes da garagem.

Um dos pilares da relação entre Ginny e Marcus sempre foi a forma como os dois se entendem e se ajudam nos momentos difíceis. Mas, agora que o namoro não anda muito bem, o casal acaba ficando mais distante do que nunca. “Ele não acredita o suficiente nele mesmo para apoiar a Ginny do jeito que ela precisa. Marcus está tentando estabelecer limites para si próprio, mas não sabe como lidar com todas essas emoções intensas”, afirma Felix. Além disso, o ator destaca que “sem a Ginny, a única pessoa que consegue entendê-lo, Marcus ficará sem a rede de apoio dele, e nós vamos testemunhar o que vai acontecer”.
Vale lembrar também que a rede de apoio de Ginny mudou um pouco nesta temporada: “Ela tem as aulas de poesia para se expressar e passou a contar mais com as amigas, principalmente agora que Marcus está mais distante. É claro que ele aparece nos momentos importantes, mas ela conquistou a própria independência, e é muito bom acompanhar isso”, conta Antonia.

No final da temporada 3, Max está em uma situação delicada, até porque alguns dos seus principais relacionamentos estão em frangalhos. “Max é cheia de energia e tudo o que ela quer é ver as outras pessoas sendo felizes, diferentes, animadas e autênticas. Esse é o mundo ideal dela. Ela ficou abalada com o que aconteceu e não sabe muito bem qual caminho seguir”, diz Sarah Lampert. “Ela sente que o amor que dedica às pessoas mais próximas não é correspondido, e isso é muito doloroso. Então ela está meio sem saber que tipo de pessoa tem que ser para se sentir amada”, acrescenta Sarah Glinski.
Além de oferecer um olhar realista sobre as questões de saúde mental enfrentadas por adolescentes do ensino médio, Ginny e Georgia também retrata os desafios específicos de quem precisa cuidar de um ente querido que está passando por dificuldades. Max, por exemplo, fica dividida entre se manter leal ao irmão gêmeo e zelar pela segurança dele. “Eu gosto que ela se esforça ao máximo para tentar ajudar Marcus sem recorrer aos pais, mas chega um ponto em que a situação passa dos limites. E isso cria uma ferida no relacionamento dos dois”, explica Sara Waisglass.
“Esse é um arco narrativo muito delicado e singular: uma adolescente que está ajudando outro adolescente”, diz Sarah Glinski. “Ela sente que precisa ser a alegria da casa e fazer o possível para deixar todo mundo feliz”, acrescenta a outra showrunner, Sarah Lampert.

“A gente explorou a depressão de Marcus mais a fundo, mas também tivemos a chance de acompanhar a Max tentando ser a pessoa mais alegre do ambiente, porque essa é uma das formas que ela tem de lidar com a situação”, diz Waisglass. Afinal de contas, a saúde mental se manifesta de formas diferentes, até mesmo entre pessoas de uma mesma família. “Enquanto Marcus prefere se fechar, Max faz o oposto. É muito interessante mostrar esse outro lado da saúde mental: como, afinal, ajudar alguém que não tem mais a mesma energia para interagir com você da forma habitual?”.
Ainda assim, a atriz está preocupada com os desdobramentos da personagem na temporada 4: “Eu sei que Max parece a pessoa mais confiante do mundo, mas acho que é porque ela sempre teve uma rede de apoio formada pelas amizades que construiu na infância. Depois de ser rejeitada por pessoas com as quais ela achava que tinha uma relação indestrutível, é bem provável que ela esteja se sentindo muito insegura.”
Apesar das diferenças entre os gêmeos, Felix e Sara defendem o mesmo rumo para seus personagens na temporada 4. “Eu queria que Max encontrasse um jeito de se amar e se fortalecer. Eles têm 16 anos, é uma fase muito decisiva. É a hora de construir essas habilidades, pois elas serão necessárias no futuro”, diz Sara.

Felix e Sara afirmam que, graças à familiaridade com o elenco e ao talento dos colegas, ambos se sentem muito confortáveis no set durante as cenas mais pesadas. Felix, por exemplo, destaca que “todo mundo tem um grande domínio dos personagens e de suas nuances. Poder entrar no set e se sentir seguro com os outros atores é um privilégio, além de ser algo muito raro.”
Sara concorda: “Podíamos contar com todos que estavam ali, e isso foi incrível. Sempre que falo sobre a série, a primeira coisa que digo é que a gente tem o melhor elenco do mundo.”
A atriz revela ainda que, para além disso tudo, ela também conta com um outro trunfo na manga: “Tomar um banho costuma ajudar. Sinto que a água consegue levar o dia embora e me tirar da personagem.”
A experiência de interpretar Marcus foi, para Felix, uma forma de conhecer um pouco mais de si mesmo. “A gente faz essas cenas e, depois de chorar por seis ou sete horas, o corpo não sabe mais a diferença entre atuação e vida real. Então é necessário estar em constante diálogo consigo mesmo e entender que não precisa levar esse peso para casa. Isso exige um nível de autoconhecimento que, na minha opinião, nem sempre fica óbvio logo de cara.”

A saúde mental de Abby começa a melhorar na temporada 3, depois de encarar situações delicadas por conta de seu transtorno de imagem e as consequências do divórcio dos pais. Nesta temporada, ela começa a se valorizar e passa a se levar mais a sério — tudo graças ao romance que começa a florescer durante as aulas de reforço com Tris (Noah Lamanna). Sarah Lampert explica: “Abby começa a se cuidar um pouco mais depois de conhecer Tris e melhorar as notas na escola. Parece que tem um pouco de maturidade surgindo ali.”
No entanto, a trajetória dela é bastante tortuosa, e é por isso que a complexa Abby continua sendo uma das personagens favoritas entre os fãs da série. “Ela reúne características que parecem contraditórias: é forte, determinada e cheia de personalidade. Só que também é bastante insegura. Ela está tentando encontrar o próprio lugar no mundo e, ao mesmo tempo, esconder isso das pessoas que estão ao seu redor. É uma verdadeira lição de amadurecimento, pois ela quer descobrir quem é a pessoa que se esconde por trás da imagem de alguém muito confiante”, explica a showrunner.
Norah, por sua vez, também está lidando com diversas questões: o racha no grupo durante a temporada 2, o fato de que sua lealdade a Ginny fica abalada durante o julgamento de Georgia, alguns problemas relacionados à saúde menstrual e, além disso, a constatação de que ela não se sente muito valorizada pelo namorado, Jordan (Colton Gobbo). “É muito importante ancorar essas personagens em amizades reais entre mulheres”, diz a showrunner, que se inspirou em piadas internas que tem com as próprias amigas para criar algumas das brincadeiras do MANG.

Ginny nunca cuidou tão bem da saúde mental.
No entanto, essa autonomia recém-conquistada trouxe também uma reviravolta surpreendente: “No final da temporada, Ginny está cada vez mais parecida com Georgia. Ela reage de modo visceral à possibilidade de que a mãe vá para a prisão e está disposta a fazer de tudo para impedir que isso aconteça, mesmo que precise manipular ou chantagear pessoas”, conta Antonia Gentry. É uma grande mudança em relação às temporadas 1 e 2, quando Ginny se sentia muito angustiada por ser cúmplice nos crimes de Georgia.

Ao contrário da mãe, Ginny tem uma rede de apoio com a qual pode contar durante os acontecimentos da temporada 3, e isso não é pouco. Com o julgamento de Georgia por homicídio, a pressão que sofre na escola, um novo interesse amoroso — Wolfe (Ty Doran) —, uma gravidez inesperada e um aborto, Ginny tem muitos temas para explorar com a Dra. Lily. “A série gira em torno da ideia de que Ginny e Georgia são praticamente o reflexo uma da outra. Mas há uma diferença crucial entre elas: por mais que Ginny tenha engravidado, assim como aconteceu com Georgia, ela tem uma rede de apoio para decidir o que vai fazer”, conta Antonia.
Georgia, por outro lado, finalmente admite que precisa repensar as próprias atitudes —sobretudo depois que algumas consequências de escolhas passadas começam a dar as caras na temporada 3. Em uma reviravolta marcante, a personagem reconhece que a velha estratégia de fugir para não ter que lidar com os problemas, ou então recorrer a uma taça de vinho (ou quem sabe uma garrafa inteira), está com os dias contados. E, o que é ainda mais surpreendente, ela decide que vai fazer terapia. “Ela sabe que não pode continuar vivendo desse jeito, e essa é a primeira grande decisão que ela toma quando percebe que vai precisar mudar se quiser manter a família unida”, diz Sarah Glinski.
Ginny passou quase três temporadas inteiras querendo que Georgia mudasse — mas, como observa Sarah Lampert, “o desejo de mudança tem que partir da própria Georgia”. E ela só decide buscar ajuda quando chega ao fundo do poço.

Acima de tudo, a equipe de Ginny e Georgia quer deixar claro que a saúde mental se manifesta de muitas formas. “Sempre fazemos questão de deixar claro que cada experiência é individual, até porque a saúde mental não vai ser igual para todo mundo”, diz Sara Waisglass.
Sarah Lampert procurou levar essa perspectiva para a vida interior dos personagens: “Todos nós travamos batalhas invisíveis, e o mesmo vale para os nossos personagens.”












































































