Silêncio no tribunal! Saiba tudo sobre o drama jurídico Habeas Corpus - Netflix Tudum

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    Silêncio no tribunal! Saiba tudo sobre o drama jurídico Habeas Corpus

    Conheça as inspirações e os bastidores da série com Marjorie Estiano, Any Gabrielly e Vladimir Brichta.

    Texto original de Ana Elisa Faria
    23 de set. de 2026

Pode abrir os autos: Habeas Corpus já está em sessão. O primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix acompanha Inez Franco (Marjorie Estiano), professora de direito e ex-advogada criminalista que reúne um grupo de estudantes para reexaminar o processo de Jonathan (Hypólito), jovem que afirma estar preso por um crime que não cometeu. 

Atrizes Marjorie Estiano e Any Gabrielly contracenam em ‘Habeas Corpus’

Entre os alunos está a brilhante Marina (Any Gabrielly), que tem motivos pessoais — e secretos — para se envolver na investigação. Esse trabalho também leva Inez a reencontrar o ex-marido e antigo sócio, Murilo (Vladimir Brichta), agora do outro lado da disputa. Já dá para perceber que separar a vida pessoal da profissional vai exigir bastante dessa turma, né? 

Inspirada no trabalho do Innocence Project Brasil, a série combina investigação, tensão de tribunal e melodrama para discutir justiça, culpa e reparação. Para conhecer melhor a história e tudo o que ajudou a levá-la à tela, reunimos inspirações, locações e curiosidades dos bastidores. 

Ah, e pode ler com tranquilidade porque aqui o seu direito à leitura sem spoilers está garantido.

Ator Hypólito como Jonathan aparece sentado em uma mesa com Marjorie Estiano e Any Gabrielly, em cena ‘Habeas Corpus’

A história: uma condenação sob suspeita 

Inez Franco (Marjorie Estiano) é uma respeitada professora de direito que deixou a advocacia há algum tempo. Na universidade, ela cria um grupo de revisão criminal e leva os alunos a reexaminar a condenação de Jonathan (Hypólito), jovem que afirma não ter cometido o crime pelo qual cumpre pena há seis anos. 

Entre os estudantes está Marina (Any Gabrielly), uma bolsista brilhante que tem razões pessoais para se envolver no trabalho — razões essas que Inez desconhece. A investigação também coloca a docente diante de Murilo (Vladimir Brichta), ex-marido e antigo sócio que agora representa o outro lado da disputa. A partir daí, o direito deixa de ser apenas matéria de aula: privilégios, interesses profissionais e relações afetivas passam a pesar sobre cada decisão. 

O diretor Luiz Villaça instrui Marjorie Estiano em cena de ‘Habeas Corpus’
Ator Hypólito como Jonathan durante um julgamento da série ‘Habeas Corpus’
FOTO POR RAFAEL BARION
Grupo de atores de ‘Habeas Corpus’ aparece sentado lado a lado em um tribunal

Habeas corpus X revisão criminal  

Se você não é do meio jurídico, talvez não saiba o que essas ferramentas significam. Ou talvez esteja se perguntando se elas são sinônimos. A gente te explica: os dois instrumentos têm funções diferentes. 

Garantido pela Constituição Federal, o habeas corpus pode ser usado quando alguém sofre ou corre o risco de sofrer uma restrição ilegal à liberdade de locomoção — o famoso direito de ir e vir. Já a revisão criminal permite reexaminar uma condenação definitiva em situações previstas em lei, como quando surgem novas provas de inocência. 

É esse segundo caminho que orienta o trabalho da doutora Inez e dos seus pupilos, que analisam os autos do processo de Jonathan em busca de elementos capazes de questionar a condenação — de 47 anos — do rapaz. E por que a série se chama Habeas Corpus, então? Para descobrir, só assistindo na Netflix. 

Quem é quem  

Inez Franco (Marjorie Estiano) é uma ex-advogada criminalista que trocou os tribunais pela universidade. À frente do grupo de revisão, encontra uma forma de pôr seus ideais à prova e encarar feridas que permanecem abertas há anos. Entre os estudantes está Marina (Any Gabrielly), garota inteligente e determinada. Ela tenta conquistar espaço em um ambiente marcado por privilégios e entra no grupo movida por objetivos que mantém em segredo. Do outro lado está Murilo (Vladimir Brichta), ex-marido e antigo sócio de Inez. Carismático e estrategista, o criminalista defende o amplo direito à defesa, mas também enxerga a advocacia como um negócio. 

Os atores Danton Mello como Pedro Borrmann, Vladimir Brichta como Murilo Villar e Natália Lage como Ana Hueda em ‘Habeas Corpus’
FOTO POR RAFAEL BARION

No centro da revisão está Jonathan (Hypólito), jovem que afirma ter sido preso por um crime que não cometeu. Pedro (Danton Mello), antigo colega de Inez e Murilo, hoje é sócio de Murilo e Ana Hueda (Natália Lage). Ele também é pai de Bernardo (Felipe Ricca), um dos alunos envolvidos na investigação. Atenta à reputação do escritório e aos interesses de clientes influentes, Ana procura conter qualquer movimento capaz de ameaçá-los. 

Eliane (Naruna Costa) cumpre pena há oito anos, e sua trajetória se conecta a um processo do passado que ainda produz consequências. A turma de universitários também conta com Raquel (Luiza Gabus), Kim (Nicolas Lee) e Lima (Pedro Roza). Paula Cohen, Renata Gaspar e Tato Gabus Mendes completam o elenco da série.

Há realidade em Habeas Corpus?

A realidade está na origem da série, mas não dita cada acontecimento. Os personagens e a narrativa são ficcionais, embora o roteiro se inspire em processos reais e no trabalho do Innocence Project Brasil, organização que investiga possíveis condenações injustas e atua para revertê-las. 

A trajetória de Jonathan foi inspirada em um processo acompanhado pela associação, mas o personagem não é um retrato da pessoa envolvida no caso de verdade. 
 

Luiz Villaça, diretor de ‘Habeas Corpus’
Você tem uma mistura de classes sociais, de realidades políticas, educacionais e culturais que é a cara do Brasil
Luiz Villaça


A ideia nasceu depois que Luiz Villaça, um dos criadores e diretor-geral, conheceu Flávia Rahal, uma das fundadoras do projeto. “Quando ela falou da quantidade de inocentes presos no Brasil e contou algumas dessas histórias, eu soube que precisava falar sobre isso”, conta. O encontro ainda revelou, segundo Villaça, outra possibilidade para a ficção, a relação desses advogados tidos como bambambãs com estudantes de diferentes origens, desde cotistas até os próprios filhos que, muitas vezes, seguem a carreira dos pais. “Você tem uma mistura de classes sociais, de realidades políticas, educacionais e culturais que é a cara do Brasil.” 

O Innocence Project Brasil   

Além de inspirar a premissa da série, o Innocence Project Brasil ajudou o elenco e a equipe a entender como a revisão criminal funciona na prática. A organização analisa condenações definitivas e investiga processos em busca de novas provas e, quando reúne elementos que sustentam a inocência de quem foi condenado, atua nos tribunais para tentar reverter a decisão. 

Em parceria com a Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, também mantém uma clínica jurídica na qual estudantes participam da análise de processos reais — dinâmica que dialoga diretamente com o grupo liderado pela professora Inez. 

Os advogados Dora Cavalcanti, Flávia Rahal e Rafael Tucherman conversaram com os atores sobre motivações, dilemas éticos e as exigências da profissão. Integrantes da equipe ainda acompanharam audiências para observar de perto como o sistema de Justiça funciona. 

Atriz Marjorie Estiano no set de Habeas Corpus
FOTO POR RAFAEL BARION

Direito fora do papel 

A pesquisa chegou aos fóruns, às faculdades e à sala de roteiro. Duas frentes de consultoria acompanharam o desenvolvimento da série: o trio do Innocence Project Brasil e outro grupo de advogados, que ajudou com termos jurídicos, esclareceu procedimentos e revisou cenas. Os roteiristas também foram à Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas para conversar com estudantes da clínica mantida em parceria com a associação. 
 

A frase ‘Não basta ser verdade, tem que parecer verdade’ saltou aos meus olhos e ouvidos
Marjorie Estiano


Marjorie Estiano assistiu a partes de três julgamentos e prestou atenção tanto aos argumentos quanto à maneira de apresentá-los. “O ritual de um julgamento e a performance dos advogados foi algo bem singular”, diz a atriz. 

“A interpretação, não só enquanto performance, mas enquanto interpretação de texto, das leis, a construção da narrativa propriamente. Guarda algo em comum, a relação do advogado com seu cliente e o ator com seu personagem. A frase ‘Não basta ser verdade, tem que parecer verdade’ saltou aos meus olhos e ouvidos.”

Atores Hypólito e Any Gabrielly recebem instruções da diretora Flávia Lacerda
FOTO POR RAFAEL BARION

Any Gabrielly acompanhou a revisão de uma condenação injusta e usou a experiência para compreender como o sistema pode reduzir uma pessoa a um processo ou a um número. Hypólito, por sua vez, estudou conceitos e procedimentos jurídicos que também eram desconhecidos de Jonathan e buscou referências em títulos como Tropa de Elite e Olhos que Condenam

A São Paulo de Habeas Corpus 

As gravações ocuparam lugares reconhecíveis da capital paulista. A Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, recebeu parte das cenas acadêmicas e jurídicas. A Sala São Paulo e o Instituto de Biologia também serviram de cenário, enquanto uma casa projetada por Paulo Mendes da Rocha, no Butantã, virou a residência de Murilo e Bianca (Renata Gaspar), a nova esposa do advogado. 

Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo

Como alguns desses edifícios são tombados, a equipe de arte não podia alterar livremente os espaços. Cadeiras, parapeitos e outros elementos de tribunal eram levados para as locações sem interferir na arquitetura original. No Largo São Francisco, as diárias aconteceram durante as férias estudantis e, em sua maioria, à noite, quando havia menos visitantes circulando. 

Há ainda um endereço real escondido na ficção: o restaurante da família de Kim (Nicolas Lee) funciona de verdade no Bom Retiro e recebeu pequenos ajustes de cenografia. Encontrar o intérprete do estudante, aliás, exigiu uma busca específica, porque o ator precisava ser jovem e falar coreano. 

401 páginas, 527 cenas e um júri 

As cenas foram gravadas em ordem cronológica, uma escolha inédita para a equipe. Isso permitiu que atores e direção acompanhassem a evolução dos personagens conforme a história avançava, mas criou um desafio para a equipe de arte: as mesmas locações precisavam ser montadas e desmontadas várias vezes sem perder a continuidade. 

As 401 páginas do roteiro foram transformadas em 527 cenas ao longo de 102 diárias e 72 sets. Ao todo, 1.871 figurantes participaram das filmagens. 

E houve pesquisa de campo por convocação oficial, na vida real: enquanto os episódios eram escritos, uma das roteiristas foi chamada pela Justiça para participar de um júri. 

Vladimir Brichta encara uma câmera no set de ‘Habeas Corpus’
Marjorie Estiano aparece atrás de claquetes, no set de ‘Habeas Corpus’
Diretor Luiz Villaça instrui a atriz Any Gabrielly durante gravação de cena de ‘Habeas Corpus’
Ator Hypólito se prepara para o início de uma cena no set de ‘Habeas Corpus’
FOTO POR RAFAEL BARION
Os diretores Luiz Villaça e Flávia Lacerda acompanham as gravações de ‘Habeas Corpus’

Os criadores

A criação da série é de Luiz Villaça, Leonardo Moreira e Donna Oliveira. Villaça também responde pela direção-geral, enquanto Flávia Lacerda comanda parte dos episódios; Moreira assina ainda o roteiro final. Produzida pela Café Royal, Habeas Corpus tem produção executiva de Adriana Tavares. 

Você assiste à temporada completa de Habeas Corpus somente na Netflix, vai lá.

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