




“Aprendi muito sobre confiança com ele.”
Na primeira vez que o público de Heartstopper encontra Charlie Spring, interpretado com uma simpatia encantadora e um certo nervosismo pelo ator britânico Joe Locke, a música “Want Me”, de Baby Queen, começa a tocar. A artista canta: “I wish I thought that I was pretty so that I could turn you on. I had a dream you called me pretty and I told you you were wrong” (em tradução livre: “Queria me achar bonita para poder te provocar. Sonhei que você dizia que eu era bonita e eu respondia, você se enganou”).
Essa letra tão vulnerável já indica o que a temporada 1 dessa série queer sobre amadurecimento reserva para o protagonista. Charlie acabou de passar pelo ano mais difícil de sua vida e está enfrentando uma insegurança enorme. A pontinha de luz que aparece na rotina dele é o crush pelo popular Nick Nelson (Kit Connor). Mas ele acha que alguém como Nick, o garoto todo arrumadinho e aparentemente hétero, jamais retribuiria seus sentimentos.
Na temporada 2 de Heartstopper, que estreia em 3 de agosto, essa insegurança desaparece. Como Joe contou à Netflix em junho, estamos prestes a descobrir um lado bem diferente de Charlie. E a evolução do personagem serviu de inspiração para o ator.
“O aspecto mais marcante da história de Charlie nesta temporada é a confiança que ele demonstra em si mesmo e em seu relacionamento”, diz Joe. Para o ator de 19 anos, Charlie sempre foi corajoso (o que fica claro pela forma como ele flerta com Nick na temporada 1, por exemplo), mas ele promete que agora vamos conhecer um lado mais atrevido do personagem. Afinal, o Charlie da temporada 2 está pronto para defender o que acredita.
Joe acrescenta: “Charlie provavelmente é o personagem mais confiante da série. Aprendi muito sobre confiança com ele, em suas diferentes formas. Ele me ensinou que não é preciso parecer extremamente confiante para ter segurança sobre quem se é e se manter fiel aos próprios valores”.
Grande parte do amadurecimento de Charlie vem da conexão com Nick, que se descobre bissexual. Embora o casal tenha vivido um romance mais “colegial” na temporada 1, desta vez eles estão totalmente envolvidos, em um relacionamento sério de verdade. “Os dois não conseguem ficar longe um do outro”, comenta Joe, insinuando uma longa sequência com vários beijos na estreia da temporada 2.
Afinal de contas, muitos dos adolescentes de Heartstopper estão vivendo as dores e as delícias do primeiro amor na temporada 2. Tara (Corinna Brown) e Darcy (Kizzy Edgell) já são um casal há alguns meses, enquanto Elle (Yasmin Finney) e Tao (William Gao) continuam trocando olhares apaixonados. Joe espera que a jornada de Nick e Charlie ajude as pessoas a entender melhor os romances da adolescência.
“Eles estão ficando cada vez mais à vontade um com o outro, dividindo seus espaços... Quero que as pessoas percebam que relacionamentos adolescentes podem ser maduros, abertos e baseados no diálogo. Muitas vezes, existe essa ideia de que relacionamentos nessa idade não são assim”, diz ele.
Com tanto amour no ar, não é surpresa que a temporada 2 de Heartstopper deixe as colinas da Inglaterra de lado para passar alguns episódios em Paris. O elenco filmou na Torre Eiffel, no Museu do Louvre e na Ponte das Artes. Joe relembra com carinho as noites longas, as manhãs que começavam bem cedo e os dias intensos ao lado da família que formou em Heartstopper.
“Paris é uma parte importante da história para Charlie, mas os outros personagens também têm grandes momentos lá porque, obviamente, é a cidade do amor”, comenta ele.
Conforme os horizontes de Charlie se ampliam, novos desafios começam a pipocar. Na temporada 2, Charlie “enfrenta as dificuldades de estar namorando abertamente e a pressão que isso traz. Ele se importa tanto com as outras pessoas em sua vida que a ideia de Nick contar que é bissexual chega a ser mais estressante para ele do que para o próprio Nick”, reflete Joe. Como o público de Heartstopper já sabe: “Charlie é assim mesmo”.
Quando Joe fala sobre Charlie, sua admiração pelo aluno do Truham fica evidente: “É muito bom conhecer mais o Charlie, crescer com ele e usar tudo o que eu aprendi com a loucura do ano passado para incorporar ao personagem”.
As filmagens de Heartstopper começaram em 2021 e a série estreou em 2022, levando Joe à fama adolescente. Agora, dois anos depois, ele já teve tempo de refletir sobre como cresceu desde que vestiu o uniforme escolar de Charlie pela primeira vez. “Meu dia a dia mudou, meus hábitos também. A forma como eu encaro o mundo, o que eu faço, tudo isso mudou”, afirma.
Durante as gravações da temporada 1, o elenco de Heartstopper estava aprendendo na prática. Para muitos deles, inclusive Joe, o romance adolescente foi o primeiro papel importante que tiveram nas telas. O ator lembra que, embora a graphic novel Heartstopper, de Alice Oseman, (que inspirou a série) já tivesse muitos fãs, a adaptação para a TV, com roteiro e produção executiva de Alice, chegou sem grandes expectativas: “Não havia pressão, porque ninguém sabia exatamente o que esperar. Agora, virou um sucesso que conquistou os corações de milhões de fãs”. E Joe ainda se impressiona com o tamanho desse público.
“Acho que o segredo para o sucesso da série, e que ninguém esperava, é como as gerações anteriores se identificaram com Heartstopper. Sinceramente, eu nem tinha pensado nisso até a série estrear. Foi ótimo ver que ela significou tanto para tantas pessoas”, celebra.

Recentemente, uma dessas pessoas falou com Joe e Kit Connor em uma viagem a Washington. “Era um homem de 56 anos e ele só tinha se assumido no ano anterior, depois de assistir a Heartstopper. Agora, ele tem um namorado e nunca esteve tão feliz. Com reações assim, dá para perceber que a série realmente é importante para muita gente”, reflete.
Joe se sente honrado e empoderado pela resposta à série. Ele comemora especialmente o fato de Heartstopper conseguir mostrar, ao longo de duas temporadas, muitas versões diferentes do que significa ser queer. A série acompanha a jornada de Nick, desde suas crises até o momento em que ele fica à vontade com a própria bissexualidade, a alegria de Elle como uma garota trans, e muitas outras perspectivas dentro do espectro das experiências queer, com ainda mais histórias ganhando espaço na temporada 2.
“Especialmente agora que o movimento antitrans está ganhando força, é muito importante mostrar que as pessoas trans não são perigosas. Elas estão apenas vivendo suas vidas, e a existência delas não atrapalha a existência de ninguém”, explica.
Para Joe, Heartstopper faz a sua parte para mudar a narrativa sobre pessoas jovens, como é o caso dele e seus colegas de elenco: “Existe essa ideia de que os adolescentes não se importam com nada. Mas, na verdade, acho que a nossa geração é a mais consciente dos últimos tempos, em termos de preocupação com os problemas do mundo… Afinal de contas, é a gente que vai ter que limpar essa bagunça toda”.
Charlie, Nick e a turma de Heartstopper vão continuar dando conta do recado em meio a relâmpagos animados e muitas faíscas.
Sessão de fotos e entrevista realizadas em junho de 2023.




































































