


Quando Terry Richmond (Aaron Pierre) chega de bicicleta a uma cidadezinha em Rebel Ridge, ele não faz ideia de onde está se metendo. O ex-fuzileiro naval foi até lá para pagar a fiança do primo que está preso, mas, antes mesmo de chegar ao tribunal, é derrubado da bicicleta e jogado no epicentro de uma conspiração que envolve todos os escalões da cidade de Shelby Springs. Agora, para conseguir escapar, ele vai precisar de todas as suas habilidades.
Diretor e roteirista de Rebel Ridge, Jeremy Saulnier (Sala Verde, Noite de Lobos) conversa com a Netflix sobre seu ponto de partida para o filme: “Como cineasta, curto os filmes de ação pé no chão dos anos 80 e 90. Além de entregarem o espetáculo, eles amarram o caos na tela com um componente emocional verdadeiro. Escala menor, impacto maior. Menos verniz, menos artificialidade. Eles são feitos com um nível de autenticidade e técnica que levanta a poeira, algo que não vejo muito no cenário atual, e eu queria fazer um filme nessa linha”.
Rebel Ridge é um suspense eletrizante que mostra até onde um homem é capaz de ir em busca de justiça. Confira o trailer acima e continue lendo para saber mais.
Rebel Ridge já está disponível na Netflix.
Aaron interpreta o protagonista Terry Richmond, um ex-fuzileiro naval com habilidades letais e princípios inabaláveis. Terry personifica a qualidade pé no chão que Jeremy tanto valoriza, e Aaron está de acordo. “Eu descreveria Terry como alguém sempre centrado. Tem que ter muita presença força de vontade para lidar com as situações que ele enfrenta nesse filme”, comenta o ator. Não vamos entrar em detalhes para evitar dar spoilers sobre as várias reviravoltas da trama.
Rebel Ridge foi a realização de um sonho para Aaron. “Só a chance de interpretar um personagem tão cheio de nuances, camadas, complexidade e humanidade profunda como Terry Richmond já é algo irrecusável. Oportunidades como essa não caem no nosso colo todo dia. Quando elas aparecem, a gente agarra com as duas mãos, abraça a chance e se entrega de corpo e alma ao personagem e à criação do projeto. Também aprendi muito todos os dias trabalhando com o talento extraordinário que é Jeremy Saulnier. E o roteiro, que o próprio Jeremy escreveu, era irrecusável para mim. E essa não é uma palavra que eu uso com muita frequência”, compartilha.

Jeremy também ficou contente por trabalhar com o ator. “Eu queria o impossível. Alguém jovem, com uma energia vibrante. Mas com uma capacidade técnica de outro nível; uma profundidade e uma densidade intelectual difíceis de encontrar, combinadas ao aspecto físico que o papel exigia. Alguém capaz de surpreender a gente ao revelar as reais habilidades de Terry, mas de uma forma que fizesse sentido quando acontecesse. Poucos atores atendem a todos esses requisitos”, declara o diretor.
Aaron cumpria os requisitos, mas não exatamente como Jeremy esperava. “Do alto do seu 1,90 m de altura, achei que ele seria imponente demais para o personagem que eu imaginei. O cara parece um super-herói, e isso não costuma me atrair”, conta o diretor.
Mas uma conversa bastou para convencer Jeremy de que Aaron era o homem certo para o papel. “Fizemos uma chamada de vídeo e, em dois minutos, eu já sabia que ele era o cara. Ele era impressionante. A inteligência e o nível de ponderação dele chegavam a intimidar. Ele era reservado e tranquilo, profundamente respeitoso e apaixonado. Tinha uma serenidade que vinha da alma. A presença física ainda lembrava a de um super-herói, mas só aceitei. E Aaron era um super-herói mesmo, na tela e fora dela. Foi uma alegria imensa nos encontrarmos no momento perfeito de nossas vidas e carreiras”, relembra Jeremy.

Terry Richmond (Aaron Pierre) chega à cidade de Shelby Springs com uma missão simples, porém urgente: pagar a fiança do primo e salvá-lo de um perigo iminente. No entanto, as economias de Terry são injustamente confiscadas pelas autoridades, e ele se vê forçado a enfrentar o chefe da polícia local, Sandy Burnne (Don Johnson), e seus subalternos. Terry encontra uma aliada inesperada, Summer McBride (AnnaSophia Robb), funcionária do tribunal municipal, e os dois acabam envolvidos em uma conspiração que envolve todos os escalões da cidadezinha remota. À medida que a situação se torna mortal, Terry precisa recorrer ao seu passado misterioso para romper o domínio da polícia sobre a comunidade, fazer justiça para a própria família e ainda proteger Summer.
Rebel Ridge é um suspense profundamente humano e frenético, que explora a corrupção e a moralidade em meio a uma ação brutal e uma trama cada vez mais tensa, como explica o diretor: “Tenho muito interesse em examinar sistemas corruptos — como são construídos e o que as pessoas dizem a si mesmas para negar ou justificar seus próprios papéis neles. Para esse filme, quis abordar como nós, o restante das pessoas, reagimos a esses sistemas e o quanto eles podem despertar raiva, pois precisamos lidar com políticos corruptos, o ciclo interminável de uma ligação de atendimento ao cliente e outros problemas. Temos ação e violência, mas foi interessante explorar o poder das palavras na narrativa. Elas transformam as cenas de diálogo em sequências de alto risco, já que uma abordagem realista e pé no chão gera uma carga emocional tão intensa que ressoa ainda mais na tela. Quando dois personagens travam um embate verbal, é mais tenso do que toda a pirotecnia de uma explosão”.

O elenco de Rebel Ridge conta com:
O entusiasmo de Jeremy pelos filmes de ação dos anos 80 e 90 se estende do cinema à televisão: “Eu era criança nos anos 80, então, como muita gente, conheci Don Johnson em Miami Vice. A série é famosa por ser uma representação da cultura pop, mas ela tinha peso, gravidade. Lembro que foi nela que acompanhei pela primeira vez na TV um final que não fosse feliz. Tinha até traficante que escapava! Sou fã dele desde que me entendo por gente e o acompanho há décadas. Com o personagem do chefe Sandy Burnne, veio a oportunidade de deixar Don se divertir um pouco com os diálogos, mas sem abrir mão da sua capacidade de demonstrar seriedade e frieza. Ficávamos mais quietos, mantendo um tom de voz mais suave, quase criando uma atmosfera de teatro ao vivo junto com Aaron, para gerar a eletricidade estática entre eles que impulsiona o filme”, conta o diretor.
Jeremy menciona a dinâmica tensa entre os personagens de Aaron e Don: “A essência do filme é a tensão que existe entre eles, não só com relação ao potencial de violência, mas também à sugestão de que há uma espécie de respeito cavalheiresco. Um bom jogador reconhece o outro”.

Aaron só tem elogios aos colegas de elenco. “Trabalhar com AnnaSophia Robb, que agora é uma das minhas amigas mais queridas, Don Johnson, James Cromwell e todo o restante do elenco e da equipe foi uma bênção. Sempre que o despertador tocava, eu estava cheio de energia e empolgado para ir trabalhar neste filme com artistas tão extraordinários”, enaltece o ator.
Jeremy também elogia AnnaSophia: “Logo na primeira leitura, ficou claro que ela tinha o calor humano, a presença física e uma compreensão especial não apenas da personagem dela, mas de todo o roteiro e de suas inúmeras camadas e mecanismos. A maneira como ela simplificava toda essa complexidade era o sonho de qualquer diretor”.
















































