





A parte 2 da temporada 2 de Wandinha finalmente chegou, e a enigmática professora de música da Escola Nunca Mais, Isadora Capri, acabou se transformando não só em mulher-lobo, mas em um ponto central de uma das maiores reviravoltas da temporada.
Interpretada por Billie Piper, a pop star inglesa da vida real que se tornou companheira do Doctor Who, Isadora foi apresentada na parte 1 como a nova professora de música da Nunca Mais, uma mentora de espírito livre sem papas na língua. Nos primeiros episódios, foi revelado que ela é uma excluída, uma mulher-lobo. Mas, na parte 2, descobrimos um segredo ainda maior: Isadora não é qualquer mulher-lobo. Ela é filha de um Hyde e uma mulher-lobo, uma híbrida rara cuja dupla linhagem a coloca no centro de vários grupos de excluídos.
Por causa dessa mistura, Isadora tem uma perspectiva especial sobre trauma e sobrevivência, algo que ela compartilha com seus alunos. Ela revela a Enid Sinclair (Emma Myers) que é uma alfa, uma descoberta que acaba sendo uma lição e um desafio para a jovem mulher-lobo. “Acho que é uma informação bem importante, seria um erro não contar. Mas ainda não sabemos se ela fez isso para proteger Enid ou por algo além disso”, conta a atriz.
Isadora também é voluntária em Willow Hill, um espaço central da nova temporada onde ela ensina musicoterapia. Sem querer, sua presença na instituição acaba sendo a desculpa ideal para Wandinha Addams (Jenna Ortega) e seus amigos se infiltrarem e denunciarem os experimentos feitos em estudantes excluídos por meio do programa LOIS. As verdadeiras intenções de Isadora não estavam claras no começo da temporada 2, mas (mesmo sem saber) ela acaba se tornando uma aliada de Wandinha que consegue andar livremente entre Nunca Mais e Willow Hill, uma ponte perfeita entre a escola e o mundo dos excluídos.
Como Isadora também foi prodígio na música, ela desenvolve um interesse especial pela Wandinha ao longo da temporada 2: “Os ensinamentos e mensagens da Isadora para Wandinha costumam ser sobre sua juventude como profissional da música e como alcançar o sucesso às vezes custa caro. E acho que essa jornada eterna da Wandinha acaba ressoando com ela. Pelo menos por enquanto, Isadora quer incentivar e ajudar a Wandinha a se superar. Ela é uma personagem difícil de definir, o que em vários aspectos é ótimo. Eu entrei de cabeça nessa. Adoro esse tipo de desafio, então eu não estava muito nervosa”.
A tensão entre as atrizes na tela gera alguns dos diálogos mais memoráveis da temporada, mas Billie conta que trabalhar com Jenna Ortega não foi nada tenso: “Foi ótimo. Ela é uma atriz brilhante. É engraçada, encantadora, uma atriz jovem e impressionante. E Wandinha e Isadora não são opostos, porque têm coisas em comum, mas são forças que se atraem”.
Na verdade, Billie ficou impressionada com todo o elenco, de ponta a ponta: “Foi completamente incrível trabalhar com atores jovens, animados, otimistas e divertidos no começo da carreira de atuação. Eles têm bastante experiência, na verdade. Estão atuando desde que eram muito novos. E ainda por cima eu pude contracenar com lendas como Joanna Lumley e Catherine Zeta-Jones. Elas eram heroínas para mim e para minha mãe quando eu era mais jovem, então não tinha como ser melhor”.
Catherine Zeta-Jones também elogiou a performance de Billie ao Tudum: “Tive a chance de cantar com Isadora Capri, que é interpretada lindamente pela Billie Piper”, lembrando o dueto delas em um cover de “Bad Moon Rising”, de Creedence Clearwater Revival, no episódio 3. A cossupervisora musical, que cuidou desta temporada junto de Nicole Weisberg, diz que esse momento musical mostra como as vozes delas funcionam muito bem juntas.

O episódio final da parte 2 leva Isadora para um território ainda mais misterioso. Depois que Tyler Galpin (Hunter Doohan) perde a mãe Françoise (Frances O’Connor), que também era sua mestre, ele acaba ficando sem ter para onde ir. Isadora surge e faz uma oferta drástica: uma nova vida, sem o vínculo destrutivo entre Hyde e mestre.
“Ela fala especificamente que não tem interesse em ser mãe nem mestre dele. Nesse momento, acredito nela, mas criar um espaço seguro para Hydes pode parecer inocente no início e acabar virando um tipo de experimento social. É sempre difícil dizer se Isadora quer destruir ou salvar”, conta Billie.
Em sua última cena da temporada, Isadora convida Tyler para participar de uma comunidade Hyde que ela está ajudando a formar, com o objetivo de rejeitar a violência e a servitude. Ela dá um gostinho do que pode vir por aí: “Acho que eles vão começar algo. Vão começar uma revolução e mudar as regras. Talvez ela queira proteger o Tyler ou evitar que ele queime como o pai dela”.
Ao abrir essa porta, Isadora dá ao Tyler algo que ele nunca teve de verdade: a possibilidade de trilhar um novo caminho. Hunter Doohan conta ao Tudum sobre o final incerto do seu personagem ao final da temporada: “Ele precisa tentar algo diferente, por ele mesmo e pela mãe dele. Como já tentou todos os caminhos na vida, ele decide tentar esse também. Sou fã da Billie Piper, e ela tem um ar muito belo e misterioso. Nesse momento, ela fisgou de vez a atenção dele”.
Mas o que existe do outro lado dessa porta? Só vamos saber na temporada 3. Alfred Gough, cocriador e showrunner da série, explica: “No final da temporada 2, Tyler vai embora com a professora Capri. Não sabemos exatamente aonde estão indo, mas pode ser uma vida sem a parte ruim de ter um mestre. Como tudo em Wandinha, ele com certeza aparecerá de novo”.

No início, o que atraiu Billie foi a estética única de Isadora: “Sempre quis interpretar uma professora de artes ou uma profissional de música com a cabeça nas nuvens”. A atriz decidiu dar à personagem um sotaque dos EUA porque estava um pouco cansada de interpretar pessoas da Inglaterra. Ela também gostou da dualidade de Isadora: “Ela é um pouco menos formal do que os outros professores, e gosto disso. Ela é um pouco mais atenta à lua e às estrelas. É bastante majestosa. Queria muito interpretar a personagem como uma pessoa aberta a energias e sentimentos, mas com uma força interior sólida. Alguém que consegue transitar entre duas personalidades”.
Outro aspecto que também conquistou a atriz foi a equipe criativa por trás de Wandinha. Sua primeira reunião por vídeo com o diretor e produtor executivo Tim Burton aconteceu enquanto ela estava promovendo o filme A Grande Entrevista e a temporada 2 de Wandinha ainda estava em pré-produção.
“Tim me falou um pouco sobre o papel, como havia alguns aspectos abertos à interpretação, como eu poderia dar um toque pessoal, o que eu gostaria de fazer. Fiquei um pouco desnorteada, porque eu era e ainda sou muito fã do Tim Burton. Assisti a Os Fantasmas se Divertem tantas vezes quando era criança e acho, de verdade, que esse filme inspirou a decoração da minha casa. Inspirou as roupas que visto. Eu adorava. Amo trabalhar com Tim Burton. Amo a energia dele e sou muito grata por ser representada em uma obra dele. Porque essa é a sensação, como se eu fosse pintada em uma obra de arte do Tim Burton. A composição costuma ser muito específica, por isso é impactante”, relembra a atriz.
Em relação ao preparo para tocar piano na tela, Billie praticou com cuidado, como se fosse uma coreografia. “É engraçado, mas eu achava que ia aprender. Não sou muito boa com instrumentos, mesmo que ame e me inspire muito na música. Na minha cabeça, até o momento da gravação, achava que aprenderia o equivalente ao oitavo ano. Fui muito ingênua e fiquei tensa com o quanto é difícil aprender a tocar piano. Então, aprendi os movimentos. No final, precisava ser uma coreografia, e o som que saía quando eu tocava foi silenciado. Eu sempre brincava: ‘Nossa, imagina se pudessem ouvir o que eu estava tocando de verdade, seria um escândalo’. Mas, pelo menos, consigo entender a música e usar o corpo para demonstrar o que está acontecendo em uma canção”, detalha.
Para o visual diferentão de Isadora, Billie e os figurinistas Colleen Atwood e Mark Sutherland se inspiraram em cantoras famosas para afinar o tom enigmático da professora. Billie conta: “Pensei em Florence Welch, do Florence + the Machine. Ela era nossa referência principal, com um pouco de Kate Bush e Stevie Nicks. Essas mulheres têm uma doçura excêntrica, mas também algo inquietante, que eu gostava. Sou a pessoa ideal para provas de figurino, porque adoro roupas, moda e estou sempre pronta para entrar com tudo no papel. Escolhemos tons quentes e eu queria um toque onírico, musical, inspirado em Topanga. Há várias influências da década de 1970. E, como atriz, para mim o figurino é decisivo. Sinto que não consigo fazer nada sem o figurino. A leveza, os vários anéis, o cabelo cacheado, tudo alimenta a alma e contribui para a personagem”.
Para Billie, todas essas influências aparecem juntas em um dos looks mais memoráveis: o vestido esvoaçante que ela usa no baile de gala do episódio 7. “Usei uma jaqueta longa de cashmere com franjas da Balenciaga, era maravilhosa. Às vezes, como atriz, nada é melhor do que poder colocar uma roupa que te deixa confortável e confiante”, detalha.
Mas o toque final que fez tudo brilhar foi um detalhezinho que a própria Billie escolheu: “Pela primeira vez, usei joias dentárias, foi algo que quis fazer pela personagem. E elas têm o formato de lua e estrelas, então é um tipo de easter egg”.
Esses detalhes ajudaram a definir o visual de Isadora, mas interpretá-la foi um desafio mais complexo. “Ela é aberta a energias, sentimentos, caos, mas tem uma base sólida. Ela é mística, protetora e um pouco perigosa. Por isso se encaixa tão bem em Nunca Mais”.
Ninguém sabe o que Isadora Capri fará daqui em diante, mas podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que Billie Piper fez os fãs uivarem de orgulho.
Descubra os planos de Isadora Capri quando Wandinha voltar na temporada 3. Até lá, confira o Tudum para ficar por dentro de tudo que acontece em Nunca Mais.


































































































