





“Acho que nunca fiquei tão nervosa na minha vida. A parte assustadora é que não sei onde vou parar, é um salto no escuro”, reflete Reece sobre o dia em que se aposentou das Cheerleaders do Dallas Cowboys.
Durante três temporadas de As Cheerleaders do Dallas Cowboys, Reece foi uma das estrelas mais amadas da equipe. Ela ficou conhecida por seus incríveis chutes altos, comprometimento total e fé inabalável. Porém, a relação de Reece com a série é ainda mais profunda: a temporada dela como novata coincidiu com a estreia de As Cheerleaders do Dallas Cowboys, tornando-a um dos rostos mais ligados à série desde o início.

O momento da despedida faz sua saída ser ainda mais surpreendente, já que muitas cheerleaders do Dallas Cowboys costumam deixar a equipe após cinco anos. “Fiquei muito dividida. É estranho, porque não quero comparar isso a uma perda, mas a gente acaba passando por uma espécie de luto quando toma essa decisão”, conta Reece ao Tudum.
Então, por que esse foi o momento certo para Reece sair? Como será essa nova fase da vida dela? E como as chefes da equipe (a diretora Kelli Finglass e a coreógrafa Judy Trammell) reagiram à notícia? Continue lendo para conferir nossa conversa com a estrela da dança, onde ela fala sobre os motivos que levaram a essa decisão e a vida depois do DCC.
Quando você percebeu que esse poderia ser o ano de se despedir?
Reece: Na verdade, eu vinha pensando muito nessa decisão desde o começo do meu terceiro ano. Eu me sentia plena e muito grata por tudo, e ainda me sinto assim. Depois de muita oração e aconselhamento, senti que era hora de confiar e dar esse passo.
Teve algum momento decisivo que ajudou você a ter certeza?
Reece: Foi um processo lento, mas, no período fora da temporada, pude aceitar muitas oportunidades que normalmente eu recusaria durante o período de jogos. Quanto mais eu considerava essas novas oportunidades, mais me sentia pronta para seguir em frente rumo à próxima fase da minha vida.
Muitas veteranas ficam por cinco anos, por que três anos foi o número certo para você?
Reece: No fim das contas, é uma decisão muito pessoal. Para muitas de nós, o mais difícil é deixar a equipe, porque queremos continuar convivendo com nossas melhores amigas todos os dias. Mas acho que chega um momento em que a gente sente que já deu tudo de si e percebe que sair pode abrir espaço para outra garota viver essa experiência. É aí que a gente começa a entender que talvez seja hora de não continuar.

Você enfrentou uma lesão nessa temporada, e esse trabalho exige muito do corpo. Isso pesou na sua decisão?
Reece: Sinceramente, foi o contrário. A gente só percebe o quanto ama alguma coisa quando fica sem ela. Minha lesão aconteceu no período mais intenso da nossa temporada, e foi muito frustrante. Mas também me fez ter uma perspectiva diferente: percebi o quanto sentia falta de dançar e do companheirismo da equipe. No meio daquela correria toda, a gente nem tem tempo de pensar, só quer estar presente e dar o melhor de si. Mas a lesão reacendeu minha paixão pela dança e me deu vontade de voltar às minhas origens, ao teatro musical, ao jazz e aos palcos. Acabou sendo um incentivo para retomar o estilo de dança que cresci fazendo.
Cada cheerleader do Dallas Cowboys precisa comunicar sua decisão pessoalmente a Judy e Kelli. Como foi entrar na sala para avisar que você não iria continuar?
Reece: Eu estava mais preocupada com a reação delas. Não sabia como iam receber a notícia. Elas sempre me apoiaram muito durante minha trajetória na equipe, mas nunca se sabe. Eu estava nervosa só de pensar no que ia dizer, porque não queria sair da reunião sem colocar para fora tudo o que estava sentindo. Acho que consegui me expressar da melhor forma possível, apesar de ter sido uma reunião muito tensa.
Elas pareceram surpresas?
Reece: Tenho a impressão de que elas meio que desconfiavam. Tivemos algumas conversas rápidas antes, que começaram a tomar um rumo um pouco diferente este ano, então acho que elas já imaginavam o que estava por vir. Foi a mesma coisa com minhas colegas de equipe, muitas delas percebiam o desgaste e sabiam que às vezes era bem desafiador. Não acho que foi um choque para ninguém, mas deve ter sido uma notícia difícil.

Quais eram esses desafios?
Reece: Um dos maiores era estar sempre alerta. Não só quando estava de uniforme, mas no dia a dia. Quando as pessoas interagem comigo, não quero que pensem que sou diferente da Reece que aparece na TV, porque quero ser o mais autêntica possível. Às vezes, estou no mercado e falo para o Will, meu marido, que estou completamente sem energia, com a bateria no negativo. Dá uma certa ansiedade pensar que alguém pode vir falar comigo justamente quando estou mais vulnerável e cansada. Existe uma pressão.
Outro ponto que discutimos bastante na temporada 3 são as redes sociais. Todos têm o direito a ter suas opiniões, mas algumas machucam bastante. A pressão de ir a um jogo e saber que, segundos depois, assim que a partida acaba, vão ter muitos vídeos meus é constante. Se eu cometer um erro, vai estar na internet. Tudo isso pesa e não só para mim, mas para todas nós.

Você recebe muitos conselhos do seu marido, Will. O que ele disse durante esse processo de tomada de decisão?
Reece: Will está sempre me apoiando. Ele sacrificou tanto para que eu pudesse viver esse sonho. Não importava qual fosse minha decisão, me aposentar ou continuar, ele estaria 100% de acordo. Ele não tentava me influenciar. Às vezes sou bastante indecisa, mas, quando paro para pensar, fico muito grata por ele ter me apoiado, independentemente da minha decisão.
O que podemos esperar para o futuro?
Reece: Muitas marcas e organizações entraram em contato comigo. Estou muito animada por ter mais disponibilidade para projetos bem legais. Não posso dizer muito, mas estou trabalhando em um livro que me deixa superfeliz. É uma área que nunca me aventurei antes. Espero que eu possa inspirar e encorajar pessoas, principalmente mulheres jovens.
E na dança?
Reece: Na verdade, cresci dançando em estúdio. Minha formação era mais voltada à dança tradicional, então, quando entrei para a equipe de dança da faculdade e segui para a carreira de cheerleader profissional, todo mundo achou muito diferente do que eu costumava fazer. Sinto bastante falta da minha formação na dança. Um dos meus sonhos é estar na Broadway. Não sei se isso vai realmente acontecer, mas adoraria voltar ao tipo de dança que praticava desde pequena.

Você vai continuar morando no Texas?
Reece: Acabamos de nos mudar para onde fizemos faculdade, no Alabama, e estamos muito animados. Quando Will e eu estudávamos, pensávamos em ser aquele casal que volta para a cidade onde estudou e cria raízes ali. Ficamos felizes por isso ter acontecido. Também estamos bem mais próximos da família, o que é ótimo.
Como a Reece de hoje é diferente da Reece que conhecemos três temporadas atrás?
Reece: O que posso dizer é que me tornei resiliente de uma forma que nunca imaginei ser possível. Ainda estou aprendendo a não deixar que meu valor e minha identidade sejam definidos pelo que os outros dizem. Sinto que estou mais confiante em quem sou, em vez de buscar aprovação. Cheguei querendo agradar a todo mundo, mas isso não é normal nem natural.
Dá um pouco de medo dar esse passo?
Reece: Se soubéssemos o que aconteceria amanhã, não precisaríamos de fé. Estou me apegando a isso agora, não preciso saber o que o amanhã reserva. É natural se preocupar com os próximos passos na vida, mas estou tentando ser otimista e acreditar que, não importa o que aconteça, tudo tem uma razão de ser. Eu sempre quis saber o que aconteceria a cada momento. Se fosse fazer uma viagem, precisava de um itinerário completo. Porém, aprendi a aceitar essa vida, em que tudo é muito imprevisível e incerto.

Do que você vai sentir falta em relação à Kelli e à Judy? Sabemos que elas podem pegar pesado, porque exigem muito da equipe.
Reece: Elas coordenam tudo com muita firmeza. Uma coisa que tento pensar é que as duas são mães. Judy é uma avó querida que ama ir aos jogos de beisebol do neto. Quando lembro disso, fico mais tranquila, sabendo que elas não estão querendo me atingir. Kelli e Judy são gentis e amorosas. E também têm filhas. Então, sempre tento me lembrar disso.
Quando você começou essa jornada e assistiu aos primeiros episódios de As Cheerleaders do Dallas Cowboys, tinha noção da popularidade que você e a série ganhariam?
Reece: Nem um pouco. A gente tinha acabado de voltar da lua de mel e eu vivia dizendo ao Will que ele não tinha noção de quanto material haviam filmado. Eu não sabia como a série seria, mas era a Netflix. Mesmo que eu aparecesse por apenas dois segundos, seria algo enorme. Depois que assistimos aos dois primeiros episódios, voltei para casa e fiquei em silêncio absoluto. Will quis saber o que tinha acontecido, se eu estava bem, e eu só respondi: “Acho que a vida vai ser diferente daqui para a frente”.





















































