





Criado por Eiichiro Oda, ONE PIECE é o mangá mais vendido de todos os tempos e amado por fãs no mundo inteiro desde 1997. A série conta a história de Monkey D. Luffy (Iñaki Godoy), que tenta encontrar o One Piece, tesouro deixado por Gold Roger, e se tornar o Rei dos Piratas. Nessa aventura, ele forma um bando de nakama e companheiros de navio: o espadachim Roronoa Zoro (Mackenyu), a ladra Nami (Emily Rudd), o atirador Usopp (Jacob Romero) e o sous chef Sanji (Taz Skylar). O grupo navega pelas páginas do mangá do mestre Oda há 26 anos e 105 edições (até agora).
Quando Matt Owens e Steven Maeda, showrunners e produtores executivos de ONE PIECE: A Série, decidiram adaptar as aventuras de Luffy e seu bando do Chapéu de Palha para uma série live-action, eles sabiam que a única solução era ter uma atenção minuciosa aos detalhes. “Nosso showrunner, Matt, é um superfã. Só mesmo alguém assim para dar conta da adaptação”, comenta Taz durante a produção da série. Admire as maravilhas do East Blue no vídeo acima, em que o elenco e a equipe mostram os bastidores e contam como ONE PIECE: A Série ganhou vida nas telas.
“Oda e seu material original, os desenhos, sempre foram nosso maior guia”, declara Matt. Usar o mangá de Oda como base deu muitas oportunidades para a equipe de ONE PIECE: A Série esconder easter eggs na transposição da história para uma nova mídia. A parte mais complicada foi definir quais enredos seriam explorados na temporada 1 e como integrar as histórias de fundo dos Chapéus de Palha à trama. É aí que entra a Sempre Bom Saber, seção que aparece no final dos mangás em que Oda responde a perguntas dos fãs. “É uma seção repleta de histórias de fundo, aniversários, alturas dos personagens e até seus pratos favoritos. Vasculhamos essas informações, e isso deu muita base emocional aos personagens”, explica Steven.
Ainda que o mangá seja em preto e branco, os Color Walks (livros de Oda com ilustrações, arte conceitual e capas do mangá) foram de grande valor para a equipe de produção. Amanda Ross-McDonald, designer de cabelo e maquiagem da série, disse que os livros foram um ótimo material de referência, já que contêm todos os personagens representados em cor. Ela explica que a parte mais desafiadora do seu trabalho foi dar vida aos personagens sem que parecesse um cosplay. A equipe alcançou um resultado autêntico usando perucas de cabelo humano, e alguns personagens, como Nami, Shanks (Peter Gadiot) e Zoro, tinham no mínimo duas perucas cada. Para dar profundidade, a equipe também pintou o cabelo em diferentes tons. Por exemplo, o cabelo de Nami tem tons de castanho, vermelho, laranja e mechas douradas.
Amanda não foi a única que se beneficiou dos materiais suplementares de Oda. “Tratei os livros Color Walk como um guia absoluto e ficava consultando toda hora. Ler esses livros é uma experiência absolutamente incrível, e eu fiquei impressionada com a genialidade de Oda”, elogia Diana Cilliers, figurinista da série. Diana fez questão que sua equipe fosse fiel aos personagens maravilhosos. A criação do chapéu de palha de Luffy foi um desafio enorme e exigiu cerca de 45 exemplares. “Temos várias referências que os grandes fãs vão reconhecer nos figurinos”, conta Emily, atriz que também é megafã de anime.
Há também as próteses e as cabeças hiper-realistas de borracha, que tornam a série mais tangível e permitem que os espectadores mergulhem no mundo de Oda. “Estamos brincando em um playground criado por ele”, diz Steven. Com sua equipe, o designer de próteses Jaco Snyman criou o nariz de Buggy, o Palhaço (Jeff Ward), bem como o bando de homens-peixe de Arlong (McKinley Belcher III). Ele conta que gostou de criar o poderoso Arlong e lembra que os homens-peixe “têm brânquias, cor de pele diferente e bocas enormes, mas, no fim das contas, são só caras normais”. A propósito, o departamento de próteses também criou os Den Den Mushi, caracóis usados para comunicação. “Adoro mexer neles. Tenho um no meu escritório”, compartilha Snyman.
A série foi filmada na África do Sul, e o primeiro dia de Iñaki no set foi na Cidade do Cabo. “Muitas das pessoas talentosas que trabalharam em ONE PIECE: A Série tinham experiência em outras séries com piratas e já tinham navios, então boa parte da equipe sabia o que fazer no nosso projeto. Foi por isso que filmamos lá. Era um lugar lindo, com clima agradável. Mas ventava um pouco, e eu sentia um friozinho com o figurino de Luffy”, relatou Iñaki ao Tudum em junho de 2023.
Taz, entusiasta de esportes extremos, completou uma ultramaratona na Cidade do Cabo no Ano Novo de 2022, dois dias antes de começar a filmar ONE PIECE: A Série.
Sem dúvidas. Os atores gravaram algumas das cenas e contaram com o apoio de dublês habilidosos. O coordenador de dublês Franz Spilhaus conta que o estilo de Luffy, que luta como um homem borracha, vem da necessidade de proteger a si próprio e a seus amigos. “Nós mantivemos esse elemento divertido, que é ele se movimentando o tempo todo, alongando e curvando o corpo. Iñaki aprendeu rápido e agora pode voar”, revela Franz. O ator, por sua vez, brinca que virou o deus das acrobacias.
Mackenyu, fã de longa data de ONE PIECE e de Zoro desde criança, queria provar algo a si mesmo. “Quero dar o meu melhor para mostrar o que Zoro e eu podemos fazer”, declara ele no set. Steven elogia as habilidades de Mackenyu com a espada e conta que ele trouxe muito do próprio estilo e experiência para as lutas.
Emily, cuja personagem Nami é profissional no bastão longo bō, treina caratê desde a infância e vivia pedindo a Franz Spilhaus para fazer mais das suas cenas de ação. O coordenador de dublês e a dublê de Rudd ficaram de queixo caído.
E ela não foi a única a mandar bem nos aspectos físicos da atuação: Jacob aprendeu a usar o estilingue para demonstrar as habilidades de Usopp; por outro lado, Taz passou por um desafio diferente, já que Sanji não tem armas e só luta usando os pés para preservar as mãos de cozinheiro. “Fizemos um mix de estilos de chutes para Sanji. É difícil demonstrar a luta com os pés de um modo interessante”, comenta Franz.
E o trabalho árduo foi recompensador. “Acompanhar os atores realizando as próprias cenas de ação e lutas é uma das melhores partes da série”, comemora Matt.
Sim! E cada embarcação teve que ser específica para seus capitães, conforme salienta o diretor de arte Richard Bridgland. O set favorito de Iñaki, claro, é seu navio, o Going Merry. “É o lar dos Chapéus de Palha, e eu sou o capitão. Então é o melhor navio de todos”, afirma o ator. Richard adaptou a cabeça de cordeiro do Going Merry dos mangás e a esculpiu pensando em Luffy, a quem ele descreve como ousado, engraçado e travesso. “A ideia de criar uma cabeça sorridente pareceu perfeita”, comenta Richard. Para Matt, que é superfã do mangá, pisar no navio pela primeira vez foi uma experiência emocionante: “Eu chorei. O fato de termos criado o Going Merry e de eu estar pisando nele… Foi quando tudo se tornou real”.
Richard quis que cada set mantivesse a lógica da história contada por Oda em ONE PIECE, então a base para o circo de Buggy precisava ter inspiração nas embarcações. “A lona de Buggy foi criada a partir de viagens do seu navio, Big Top”, observa o diretor de arte. Dois antigos mastros aparecem sob a lona, e as plataformas de acrobacias eram postos de vigia.
Pode apostar que sim. Richard e sua equipe quiseram homenagear a história, os personagens e a visão de mundo de Oda, mas não bastava traduzir o que estava na página de um modo literal. “Foi preciso buscar o espírito de todos esses elementos e traduzi-lo para o mundo real, usando nossa imaginação de um modo ONE PIECE para criar sets de lugares que sequer aparecem nos mangás”, explica ele. Um exemplo é a mansão de Kaya (Celeste Loots), amiga de infância de Usopp. Só o exterior da mansão aparece no mangá, então a equipe de direção de arte bolou ideias sobre como seria a casa de Kaya, cuja família teve muito sucesso na construção naval.
“Por exemplo, a sala de jantar na casa de Kaya parte do princípio de que quem vinha comprar navios nem sempre trazia dinheiro vivo, mas essas pessoas tinham artefatos saqueados (como recompensas de invasões) e os usavam como pagamento. Então alguém veio e pagou pelo novo navio com várias peças de porcelana fina, que depois foram usadas na construção da mansão. É por causa disso que temos milhares de pratos nas paredes, no teto, por todo lado”, detalha Richard.
Isso acontece também no grand foyer, idealizado por Richard como o lugar onde as vendas eram realizadas. “O grand foyer é cheio de pinturas estilo trompe l’œil representando vários navios. É o primeiro lugar que as pessoas visitavam antes da compra. Bastava olhar ao redor, ver os demais navios que a família já havia construído e dizer que queria um mais ou menos daquele jeito. É como um catálogo pintado nas paredes”, pontua Richard.
O diretor de arte aponta o restaurante Baratie, do chef Zeff (Craig Fairbrass), como o mais divertido de se criar. Na perspectiva dele, Zeff teria reaproveitado materiais da sua vida de pirata para criá-lo como um refúgio para outros piratas. Zeff é um pirata aposentado e “já tinha um navio, que poderia servir como restaurante e cozinha. Ele também precisava de aposentos, então imaginei que foi ao ferro-velho ou saiu para piratear e capturou duas embarcações menores, empilhou-as uma sobre a outra e roubou um farol para colocar no alto”, explica Richard. E o que dizer da enorme escultura de cabeça de peixe? “Vai ver que ele pegou na saída do ferro-velho”, completa.
O interior precisava combinar com a grandeza do exterior, mas sem perder o realismo, já que tudo foi retirado de outros navios. “Reparando bem as colunas, dá para notar que são de diferentes navios que ele saqueou. Até mesmo os acessórios de mesa, como pratos, facas e garfos, são todos diferentes porque vieram de lugares diferentes”, ressalta Richard.
A equipe de direção de arte também buscou ideias nos livros Color Walk e Rurubu (guia de viagem de Oda sobre os locais de ONE PIECE e suas inspirações no mundo real). “Muitos dos destinos que ele usa no mangá são inspirados em lugares reais. A mansão de Kaya é baseada em Belton Hall, no Reino Unido. O templo no Arlong Park é baseado em um que existe na China. Muitos fãs de ONE PIECE usam o livro para planejar as férias”, conta Richard.
Ainda que o esquema de cores do Baratie não seja uma cópia direta do Color Walk, ele se mantém autêntico. Richard foi meticuloso ao transformar o Baratie em um grande palco para a história de ONE PIECE: A Série, com direito a easter eggs. “É até difícil lembrar todos os easter eggs que colocamos”, confessa. Todas as fotos na sala de jantar são do mundo criado por Oda em ONE PIECE, com lugares de que Zeff ouviu falar ou visitou. Os cardápios têm pratos e vinhos (como aquele que Zeff bebe com o vice-almirante Garp) que são mencionados no mangá. E os drinks no bar? Nada é genérico, todos os coquetéis também são citados na obra original. “Muito disso nem mesmo aparece nas telas, mas é importante que esteja lá. Caso acabe aparecendo em cena, será real. É algo específico daquele mundo”, finaliza Richard.
E, então, que tal embarcar nessa aventura?
Suba a bordo do Going Merry com os Chapéus de Palha e assista a ONE PIECE: A Série, já disponível na Netflix.
“ONE PIECE: A Série” é uma aventura de piratas em live-action criada em parceria com a editora Shueisha e produzida pela Tomorrow Studios e pela Netflix. Matt Owens e Steven Maeda atuam como roteiristas, produtores executivos e showrunners. Eiichiro Oda, Marty Adelstein e Becky Clements também assinam a produção executiva.









































































