





No mesmo dia em que Rainha Charlotte: Uma História Bridgerton estreou, o protagonista Corey Mylchreest, que interpreta o rei Jorge, acordou com o celular lotado de mensagens. Uma delas era de Jonathan Bailey, que interpreta Anthony em Bridgerton.
“Na mensagem, ele dizia que as pessoas costumam acreditar que, no lançamento da série, nos sentimos brilhantes e confiantes. Mas, na verdade, isso acontece na finalização de um projeto, no último dia de filmagem. É ali que nos sentimos incríveis”, diz Corey ao Tudum.
O que realmente traz satisfação para Corey é a paixão por interpretar o rei Jorge jovem, romântico e complicado, não a experiência “surreal” de ver sua imagem em um outdoor ou de acompanhar o aumento do número de seguidores no Instagram. Seus olhos brilham quando ele fala sobre as complexidades da mente do rei Jorge, cujos conflitos permeiam toda a série. Embora o rei ame a esposa, a rainha Charlotte (India Amarteifio), seus problemas de saúde geram obstáculos no casamento.
“O rei Jorge é um homem que tem noção do que deseja, que entende justiça e igualdade, mas seus traumas e aflições o aprisionam. Quando conhece Charlotte, ele se inspira e tem a oportunidade de usar seu privilégio”, diz Corey.
A seguir, Corey explica como o casamento transformou a vida do jovem rei Jorge, e ao mesmo tempo, como o papel redefiniu a trajetória do ator.
A vida de recém-casado não é o único desafio do rei Jorge. Ele tem uma função importante no “Grande Experimento”. É assim que a rainha Charlotte se refere à integração à nobreza britânica. O rei Jorge participa efetivamente do processo?
O jovem rei Jorge é alienado do poder pelo parlamento, pela própria mãe (a princesa-viúva Augusta, interpretada por Michelle Fairley) e pelos conselheiros dela. Ele praticamente não tem poder. Mas, no episódio 3, quando, depois de uma conversa com Lady Danbury (Adjoa Andoh), Charlotte diz: “Nossos muros são altos demais”, George entende o recado e supera o medo que o impede de agir porque está ciente de seus privilégios. Sabe como ser um aliado e usar a própria influência.
Qual seria seu exemplo preferido desta parte da jornada do rei?
É quando ele simplesmente resolve dar as caras. Todos o reverenciam quando ele aparece no baile de Lady Danbury, no episódio 3. Afinal, ele é o rei, e nunca vai a esses eventos. Só que, desta vez, ele escolhe participar.
Sempre achei a cena linda porque ele diz: “Lorde e Lady Danbury, obrigado pelo convite”. O agradecimento demonstra reverência e respeito ao casal, pois eles são o rei e a rainha naquele momento. Além disso, no final da dança, o rei Jorge se curva mais do que Charlotte, o que significa “você está no controle, você representa o poder”. A corte entendia cada detalhe daquele vocabulário gestual. As pessoas eram detalhistas e rígidas com o comportamento alheio naqueles eventos.
Os bailes eram belíssimos! Alguma locação específica inspirou sua atuação?
Eu diria que todas. Os palácios, as mansões, os arredores, a arquitetura, as pinturas e as obras de arte dentro deles. Mas teve uma que me marcou muito, o Blenheim Palace. Foi lá que eu e India fizemos a nossa primeira cena, no primeiro dia da produção. Foi lá também que filmamos o último momento em que vemos Jorge e Charlotte no baile, no episódio 6. É como se um ciclo tivesse se fechado.
Quando chegamos lá, fiquei muito nervoso. O palácio era enorme, me senti oprimido pela imensidão do lugar. Tem uma cena no episódio 6 em que o rei admira o palácio. Charlotte o leva pela mão, mas ele está com muito medo de entrar. Foi o que senti naquela primeira vez, pois estava me colocando no lugar de uma pessoa que tinha se apaixonado por pesquisa.
De que maneira a pesquisa influenciou sua atuação?
Eu não só queria como também precisava fazer justiça a ele e dar voz à sua história. Entrar nos lugares em que aquelas pessoas viveram era coisa séria. De muita responsabilidade, uma responsabilidade esmagadora, exatamente o que sentiu o rei Jorge ao usar a coroa. Eu sempre me lembrava das nossas semelhanças, ainda que em contextos absolutamente diferentes, claro.
Como foi fazer a última cena do episódio 6, debaixo da cama? Foi a única vez em que você e India gravaram com as versões mais velhas dos seus personagens, interpretadas por James Fleet e Golda Rosheuvel.
Tom Verica, o diretor e produtor executivo da série, foi quem bolou a cena. Ele mandou uma mensagem de texto pra mim e para India dizendo: “Estudem essa última cena e venham prontos para atuar”.
A cena não é um flashback. O público não vai dizer: “Ah, entendi, eles estão velhos ali. Lembra da cena quando eram jovens?” São os próprios personagens que estão ali. É como se dissessem: “Eu me lembro como você era, e lembro de você assim porque o nosso amor continua o mesmo. Nosso amor continua tão forte quanto antes”.
E como você acha que o público vê isso?
Não vemos o casal na versão jovem porque foi isso que fizemos o tempo todo. Os personagens se veem como eram, o que é muito emocionante, pois sabemos que deve ter sido muito difícil passar daquele momento para o outro, considerando os problemas do rei.
Gravar aquela cena foi extraordinário, porque em alguns momentos contracenei com Golda e India contracenou com James. Foi bom porque eu e India tínhamos uma química, mas eu e Golda tínhamos outra. Era a química do rei Jorge mais velho com a rainha. E foi ótimo porque já tínhamos passado um bom tempo juntos. De certo modo, parecia uma necessidade, e a cena foi o fechamento perfeito.
Como foi contracenar com James?
James é fenomenal. No dia em que o conheci, fui um pouco antes porque tinha uma gravação naquele dia. Quando cheguei, estavam fazendo os planos fechados dele. Na época, eu tinha acabado de gravar quatro semanas seguidas, todo santo dia. Espiritualmente, estava me sentindo muito próximo do rei. E lá estava eu, praticamente flutuando, observando meu personagem, mais velho, lidando com questões ainda mais complexas do que o rei Jorge jovem.
Foi muito emocionante. Quando disseram “corta” e James terminou de gravar, eu estava aos prantos. Tremia. Fui ao encontro dele com o rosto encharcado de lágrimas, dizendo: “Que lindo, que lindo”. Eu não conseguia nem falar direito.
Obviamente, ele não tinha a menor ideia de quem eu era. Perguntou: “Quem é esse cara?” Deu para ver que ele ficou chocado, mas me cumprimentou com um “muito prazer”. Ele é tão brilhante que consegue entregar uma atuação dessas e sair do personagem logo depois. Conversamos muito depois disso.
Golda acredita que, embora o rei e a rainha vivam separados à medida que envelhecem, a proximidade emocional deles continua mais forte do que nunca.
Concordo totalmente. Naquela cena final, debaixo da cama, vemos que a lucidez ainda não abandonou o rei, que ele é capaz de enxergar Charlotte como ela é.
Mas um dos motivos pelo qual eles não moram juntos é o sofrimento de Charlotte. Vê-lo daquele jeito a cada dia com a mesma paixão é absolutamente doloroso para ela porque, de certo modo, é como se o tivesse perdido. É como perguntar a uma pessoa: “Agora que seu parceiro morreu, por que você não passa o dia todo no cemitério?” É preciso respirar, e, mesmo enfrentando o luto, seguir em frente. Só que ela, obviamente, não consegue seguir em frente. Fica imobilizada. De vez em quando, precisa voltar, exatamente como diz Brimsley Hugh Sachs naquele momento. Charlotte está congelada no tempo porque é como se o rei Jorge tivesse morrido e, ao mesmo tempo, não. Ele continua lá.
A entrevista foi editada e resumida para maior clareza.















































































