Por trás da autenticidade de Terra Indomável: entrevista com a consultora cultural indígena da série - Netflix Tudum

  • Entrevista

    Consultora cultural Julie O’Keefe fala sobre a autenticidade de Terra Indomável

    “O compromisso e a integridade ao contar uma história precisam começar no topo.”

    Texto original de Keely Flaherty
    9 de dez. de 2024

Na minissérie Terra Indomável, a autenticidade é um pilar de todas as narrativas e elementos da construção do universo, principalmente na representação das histórias dos nativos. 

Escrita por Mark L. Smith (O Céu da Meia-Noite, O Regresso, Operação Overlord) e com Eric Newman (Griselda, Bem-Vindos à Vizinhança, Narcos, Narcos: México) como showrunner e produtor executivo, Terra Indomável é uma dramatização ficcionalizada ambientada em 1857. A minissérie também explora o choque violento entre cultura, religião e comunidade, enquanto homens e mulheres lutam e morrem para defender ou conquistar as terras que formam o Velho Oeste dos Estados Unidos. Entre esses homens e mulheres, estão diversos povos indígenas que habitavam a região há gerações, como os shoshones, paiutes e utes.

Julie O’Keefe

Julie O’Keefe

Erik Tanner para Netflix

Julie O’Keefe, consultora cultural indígena e assessora de projeto de Terra Indomável, compartilhou seu conhecimento com a produção para garantir a autenticidade das narrativas indígenas ao longo da história épica retratada na série.

O diretor e produtor executivo Peter Berg (Império da Dor, Tudo pela Vitória, O Grande Herói) afirma: “Julie esteve presente todos os dias, garantindo que fizéssemos tudo, como os penteados, as joias, as roupas, o idioma e os comportamentos, de acordo com a época e os diferentes povos. Eu sabia quais eram as minhas limitações, e ela foi fundamental para nos ajudar a acertar todos esses detalhes. Temos plena consciência da importância de respeitar todos os povos e de assegurar que nossa pesquisa e representação fossem fiéis à realidade”.

A seguir, Julie O’Keefe compartilha todos os detalhes por trás de seu meticuloso trabalho em Terra Indomável.

Diretor/produtor executivo Peter Berg nos bastidores de “Terra Indomável”
Matt Kennedy/Netflix

Como você se envolveu com Terra Indomável? Como surgiu o convite para colaborar com a produção?

Recebi uma ligação da figurinista Virginia Johnson em janeiro de 2024. Ela estava procurando alguém para produzir determinados itens e havia conversado com Jacqueline West, figurinista de Assassinos da Lua das Flores, sobre a recomendação de uma consultoria indígena para auxiliar no desenvolvimento e na aquisição dos figurinos. Três povos indígenas estavam envolvidos na história. A trama se passava em 1857. Os chefes de departamento já trabalhavam no projeto desde outubro e tinham dúvidas culturais sobre símbolos, diferenças entre tipis e longhouses, idioma, cocares de guerra, penteados, estilos de mocassins, adereços, alimentação, ritos funerários, nomes de clãs... Enfim, tudo o que dizia respeito à cultura e ao modo de vida desses três diferentes povos. A minha abordagem é fundamentada na pesquisa acadêmica e no compromisso com a autenticidade. Em Hollywood, muita gente acredita que basta uma única pessoa para tirar todas as dúvidas sobre os povos indígenas dos Estados Unidos. Mas existem 574 Nações Tribais com reconhecimento federal no país, então isso é simplesmente impossível. O papel de um consultor indígena (mesmo que eu prefira me definir como consultora cultural indígena) é garantir que a direção e todos os departamentos tenham acesso a informações precisas, para que culturas de diferentes povos não sejam misturadas e acabem retratadas como uma colagem de tradições que nada têm a ver com a Nação representada. Imagine enterrar o Papa vestindo um traje típico bávaro, com uma freira budista conduzindo ritos católicos, enquanto todos dançam com uma bandeira do Reino Unido ao fundo. É assim que parece quando a sua cultura é retratada de forma equivocada.

Qual é a sua formação? Fale um pouco sobre sua experiência e suas competências, e sobre como essa combinação contribuiu para Terra Indomável.

Sou formada em desenvolvimento de produtos nas áreas de tecidos e mobiliário. Muitas das habilidades utilizadas nesse setor podem ser aplicadas à criação de praticamente qualquer coisa. Comecei importando tecidos e produzindo roupas para os osages da minha Nação Tribal e abri uma pequena loja de design chamada Cedar Chest, onde confeccionava vestimentas osages tradicionais. Também integrei o conselho do National Museum of the American Indian Smithsonian, em Washington, DC. Essa experiência me permitiu pesquisar os arquivos da instituição e, como consultora de arte indígena, trabalhar com muitos artistas indígenas renomados de todo o país. Em Terra Indomável, trabalhei com os chefes de departamento e mobilizei minha rede de artistas indígenas para produzir cerca de três mil itens destinados a figurino, departamento de arte, cenários e adereços. Preparei três oficinas, uma em cada Nação Tribal retratada na história. Quando a demanda excedia a capacidade dessas oficinas, o trabalho era encaminhado a outros artesãos indígenas de diferentes regiões dos EUA. Além dos artesãos das comunidades shoshone, paiute do sul e ute, a Netflix também apoiou artistas e artesãos indígenas de todo o país. Todas as chefias de departamento estavam comprometidas com a autenticidade, e é isso que confere riqueza cultural à narrativa.

Derek Hinkey como Pena Vermelha e o chefe do departamento de maquiagem Howard Berger nos bastidores de “Terra Indomável”
Matt Kennedy/Netflix

Como consultora, qual foi o seu nível de envolvimento na produção? Você colaborou com atores e equipes criativas, como as de design de produção e figurino? Chegou a acompanhar as filmagens no set?

Meu trabalho na série foi gerenciar as equipes de especialistas culturais dos [the] povos envolvidos. Artesãos, falantes dos idiomas tradicionais de cada Nação Tribal e especialistas culturais participaram do projeto para criar e dar suporte a todos os departamentos. Também realizei pesquisas e utilizei minha rede de contatos para construir, em parceria com Renée Reâd, acampamentos autênticos cenográficos dos shoshones, paiutes do sul e utes. Além disso, trabalhei com Virginia Johnson na produção de vestimentas tradicionais historicamente adequadas para os personagens principais e os secundários. Também fui responsável por obter materiais como couro de búfalo, pele de alce, pele de veado, contas, tecidos de lã e cobertores, seguindo as referências fotográficas e as pesquisas realizadas por Virginia e pelas demais equipes.

Você prestou assessoria a quais personagens e narrativas em específico?

Enviei o roteiro para especialistas das Nações Tribais envolvidas, para que pudessem analisá-lo e sugerir as mudanças necessárias. Nos casos de falas em idiomas indígenas ou ajustes relacionados à língua, isso geralmente acontecia no set. Quando o diretor trabalha atrás das câmeras, o que está escrito no papel nem sempre é exatamente o que acaba aparecendo na tela. Peter Berg adicionou muito mais diálogos em shoshone ao roteiro, algo que os povos indígenas adoraram ver. Para uma pessoa indígena, não há nada melhor do que ver seu idioma, que lutamos tanto para preservar, sendo retratado com precisão para o público. Peter e a Netflix estavam comprometidos com a autenticidade linguística da produção.

Considerando o seu trabalho em Assassinos da Lua das Flores, o que acha que diferencia Terra Indomável das representações anteriores das culturas indígenas que você observou ou das quais participou criativamente?

Deixei as chefias dos departamentos criativos conduzirem suas próprias pesquisas e desenvolverem suas próprias representações das figuras históricas. Todos esses profissionais são artistas por mérito próprio e, como consultora de arte indígena, não acredito que alguém deva dizer a um artista o que fazer. Como consultora cultural indígena, meu foco é colaborar com cada chefia de departamento para ajudar a encontrar a rede certa de pessoas para concretizar a visão que têm dessas figuras. O compromisso e a integridade ao contar uma história precisam começar no topo. A Netflix, a Apple e o Hulu, para citar algumas plataformas, estão estabelecendo um novo padrão e tomaram a decisão consciente de investir em autenticidade e precisão na hora de retratar os personagens indígenas. Os diretores e produtores cooperam para definir a narrativa e trazem consultores das Nações envolvidas na história. Esses consultores colaboram com a direção e os roteiristas para atingir o objetivo. Os consultores indígenas precisam estar envolvidos desde o início do processo, algo que só agora muitas pessoas na indústria começaram a entender. Os dias de Gunsmoke e Bonanza ficaram para trás. Chega de tinta marrom e símbolos esquisitos pintados no rosto das pessoas. A linguagem é autêntica. As roupas não são todas inspiradas em Gerônimo, e nem todo mundo anda por aí usando cocar. Nem todos os povos vivem em tipis, e se vivem, não são necessariamente do mesmo tipo retratado em Terra Indomável.

Diretor/produtor executivo Peter Berg nos bastidores de “Terra Indomável”
Matt Kennedy/Netflix

A série tem cenas de violência extrema. O nível de violência retratado corresponde ao período e ao contexto?

Depois de ler relatos históricos do que aconteceu com os povos indígenas naquele período, pode-se dizer que a violência em Terra Indomável chega a ser branda.

O Massacre de Mountain Meadows parece ter sido uma sequência especialmente exaustiva e intensa de filmar. Fale sobre o planejamento envolvido e como foi acompanhar esse evento tomando forma.

Para essa cena em específico, todo mundo no meu departamento trabalhou de forma intensa. Tivemos atenção com vários aspectos, como idioma, gritos de guerra, sons, disposição do acampamento, figurinos e adereços. Todos os itens em cena foram produzidos por artesãos indígenas. Meu lugar no set era na tenda da supervisão de roteiro. Quando Pete começou a filmar e eu pude acompanhar tudo ganhando vida diante das câmeras, foi impressionante.

Na sua função de consultora cultural indígena e assessora de projeto, como você garante a precisão histórica de uma narrativa? Qual é sua fonte de referência, principalmente por não haver registros históricos de alguns povos?

Eu pesquiso e coopero com os maiores e mais respeitados especialistas indígenas de cada Nação Tribal retratada. Muitas de nossas histórias são contadas por narrativas orais, canções e danças. Por isso, é importante sempre envolver os especialistas culturais e historiadores de cada povo. Também trabalho com acadêmicos e linguistas fluentes nos idiomas. 

Diretor/produtor executivo Peter Berg nos bastidores de “Terra Indomável”
Matt Kennedy/Netflix

Você pode compartilhar alguns exemplos, grandes ou pequenos, de contribuições ou recomendações que ajudaram a tornar as narrativas indígenas da série mais autênticas?

Terra Indomável tem uma cena dos shoshones se preparando para a guerra. Certa manhã, fui ao escritório de Sam Tischler, nosso line producer, e sugeri que ele conversasse com Pete sobre a inclusão de cantores shoshones tradicionais nessa sequência. Naquela mesma tarde, Sam disse que Pete havia gostado da ideia. Wayland Bonatsie, um de nossos historiadores shoshones, fazia parte de um grupo de percussionistas e cantores que interpretava canções tradicionais do povo. Trabalhei de perto com Virginia Johnson para criar os figurinos dos cantores. Também encontrei um artista shoshone para confeccionar um cocar tradicional de guerra para o cantor principal. As canções indígenas não eram registradas em partituras, mas transmitidas oralmente de geração em geração. Muitas delas têm centenas de anos. Todos os percussionistas receberam figurinos. Algumas semanas depois, eles vieram de Crowheart, Wyoming, trazendo os tambores. No primeiro dia no set, levei os cantores para conhecer como tudo funcionava: o acampamento, as refeições, os transportes, o set em si. E expliquei o que o diretor pediria a eles. Depois de instalarem os tambores no set, sentaram-se para ensaiar. O ambiente todo se transformou. Eletricistas, técnicos de iluminação, equipe de câmera... todo mundo parou o que estava fazendo para ouvi-los. Foi fantástico. Essa é uma das minhas cenas preferidas.

Muitas vozes criativas na série falaram especificamente das contribuições incríveis de Derek Hinkey (Pena Vermelha) à série. Você chegou a trabalhar com ele?

Derek é fantástico! Ele é dedicado ao seu trabalho e à cultura indígena. Trabalhei com artesãos para produzir peitorais especiais para ele, feitos de conchas e reproduzidos a partir de peças preservadas no Museu Bill Cody. Ele também usou um cocar magnífico confeccionado por uma pessoa de Oklahoma especializada nesse tipo de peça. O artigo é feito de cerdas de porco-espinho, e, quando passava por mim montado a cavalo, Derek balançava a cabeça de propósito para mostrar o movimento. Dondie Howell, historiador e especialista na língua shoshone, trabalhou com Derek nas falas e nos maneirismos do personagem.

Você comentou especificamente sobre o uso de idiomas nativos na série. Pode nos contar sobre esse elemento do trabalho da sua equipe e da narrativa?

Para os povos indígenas, a língua foi a primeira coisa que nos tiraram quando nossas crianças foram enviadas para escolas militares e missionárias durante o processo de assimilação cultural forçado. Essas crianças eram colocadas em escolas militares e religiosas e, basicamente, impedidas de falar seu próprio idioma. Por isso, lutamos para preservar esse laço que nos conecta à nossa identidade, porque, sem língua, não existe cultura. Acho que muitas pessoas não percebem que um idioma pode desaparecer em questão de três gerações. Isso me deixa perplexa. Quem você seria se não tivesse sua língua para se expressar? Hoje, porém, estamos conseguindo recuperar nossos idiomas. Muitas Nações Tribais mantêm escolas de imersão e diferentes programas, inclusive recebendo financiamento federal para funcionar nas reservas. Esses programas trabalham com nossas crianças para elas voltarem a ser falantes fluentes. Existe um esforço enorme para isso. A quantidade de idiomas indígenas utilizados em Terra Indomável é impressionante e é como um presente para nós. Fico até emocionada pensando nisso porque a Netflix e a equipe de Terra Indomável defenderam a causa das 574 Nações Tribais que temos hoje[for them]. Estão nos ajudando a preservar algo que quase perdemos, e que muitas Nações Tribais já perderam. Diversas comunidades ainda estão tentando redescobrir quem são. A língua é um dos aspectos que mais me dão orgulho em relação à autenticidade de Terra Indomável e foi um elemento fundamental para contar essa parte da história dos povos indígenas da maneira correta. 

Diretor/produtor executivo Peter Berg nos bastidores de “Terra Indomável”
Matt Kennedy/Netflix

Tem algum outro elemento do seu trabalho na série do qual você se orgulha ou quer muito que o público observe?

Sinceramente? Tudo! O vestido de Abish (Saura Lightfoot-Leon) é uma réplica feita a partir de uma peça que Virginia e eu encontramos em fotografias históricas do NMAI Smithsonian referentes àquele período. O trabalho de contas foi feito de forma tradicional pela renomada artista e artesã oglala lakota Molly Murphy Adams. Há também três tipis específicos que aparecem no acampamento shoshone. Renée Reâd me perguntou se seria possível confeccioná-los com couro autêntico, então contratei um renomado fabricante de tipis para produzir dois deles com couro de alce e um com couro de búfalo, o que é bem raro. Cada tipi exigiu entre 37 e 40 peles. Ao todo, 120 peles foram limpas, curtidas, impermeabilizadas com fogo e esticadas de modo tradicional. Além disso, foram confeccionados 500 pares de mocassins shoshones tradicionais usando outras 300 peles, todos produzidos por artesãos shoshones especializados. Virginia pesquisou cobertores históricos e os reproduziu a partir de fotografias antigas de tecidos encontradas no acervo do NMAI. Esses cobertores e tecidos eram trocados e vendidos em Fort Bridger. Também foram preparados alimentos tradicionais para uso como adereços de cena, além de escudos de guerra reproduzidos a partir de escudos shoshones de centenas de anos. Os pigmentos vermelho-ocre e amarelo foram obtidos de plantas e cascas de nozes. O vestido de Ave Invernal (Irene Bedard) tinha dentes de alce de verdade. O meu maior orgulho é que a Netflix me permitiu trabalhar com 150 artesãos e consultores indígenas. Graças a esse compromisso com a autenticidade, os departamentos de arte, cenografia, adereços e figurino investiram recursos diretamente nessas comunidades. Em troca, os povos indígenas contribuíram com seu artesanato, autenticidade, história, cultura, canções, danças, dedicação e orgulho para ajudar Peter Berg e a Netflix a produzir uma história que merece ser contada com verossimilhança.

O que você espera que seu trabalho faça pelas comunidades indígenas no geral quando se trata de entretenimento e representação? E o que você espera alcançar com sua contribuição em Terra Indomável?

Considero meu papel na indústria como o de um fio condutor que conecta a visão dos diretores e produtores para a narrativa às próprias Nações Tribais retratadas na história. A minha contribuição é envolver historiadores, especialistas culturais e linguistas de cada uma delas para termos informações precisas. Procurei disponibilizar informações confiáveis para toda a produção por meio da participação de consultores de cada uma das Nações envolvidas. Além disso, busquei garantir que todos os departamentos tivessem acesso a esses consultores para assegurar a autenticidade do roteiro, arte, cenografia, maquiagem, penteados, figurinos, adereços, música e idiomas. Foi importante contratar consultores das Nações para estarem presentes no set e atenderem às necessidades relacionadas a idiomas que a direção e as chefias de departamento pudessem ter. Também acho fundamental que as plataformas de streaming, como a Netflix, reinvistam recursos nessas comunidades. Já passou o tempo em que nossas histórias eram contadas a partir de uma perspectiva não indígena. Ao envolver artesãos dessas Nações Tribais, as plataformas contam as histórias delas e geram oportunidades econômicas para os povos. Elas deixam de simplesmente se apropriar das narrativas e passam a envolver e contratar membros das Nações retratadas. 

Confira a seguir uma relação de alguns dos muitos artesãos e especialistas indígenas da equipe de Julie O’Keefe que contribuíram para Terra Indomável:

Hovia Edwards-Yellowjohn (shoshone bannock-navajo)

Pete Yellowjohn (shoshone bannock)

Georgette Running Eagle (shoshone bannock)

Kugee Supernaw (quapaw e osage)

Son Supernaw (quapaw-osage e caddo) 

Joe Cheshawalla (osage) 

Debbie Cheshawalla (choctaw)

Molly Murphy Adams (oglala lakota)

Wayland Bonatsie (shoshone oriental)

Quinlin Hernandez (shoshone) 

Lyle Oldham (shoshone)

Whitman Niedo (shoshone) 

Darin Surrell (shoshone) 

Randy’L Teton (shoshone bannock)

Bryan Hudson (shoshone oriental/paiute do sul)

Dondie Howell (shoshone oriental)

Shanandoah Anderson (paiute do sul)

Lynette St. Clair (shoshone oriental)

AJ Kanip (ute)

Joetta Bitsuie (ute)

Donald Yellow Eagle (comanche)

Robert Perry (shoshone bannock)

Georgette Yelloweagle (shoshone bannock)

Confira Terra Indomável na Netflix em 9 de janeiro. 

Assista ao trailer da temporada 1 de Terra Indomável
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