A história real de Aquele Sobre Matthew Perry: os momentos mais chocantes e as surpresas do documentário - Netflix Tudum

  • Entrevista

    As 12 revelações mais surpreendentes de Aquele Sobre Matthew Perry

    Os momentos mais emocionantes do documentário, do amor de longa data pelo Batman à despedida da irmã.

    Texto original de Troy Pozirekides
    27 de out. de 2026

Durante 10 anos, Chandler Bing foi aquele amigo que estava sempre na TV fazendo a gente rir. Mas, por trás do personagem, o ator Matthew Perry passou muito tempo lutando contra o uso de substâncias sem nunca fugir da briga. Além disso, na vida real, foi filho, irmão e amigo de verdade, muito querido pelas pessoas mais próximas.

Aquele Sobre Matthew Perry, que já está disponível, é o primeiro documentário aprofundado sobre o ator — e busca, com os depoimentos dessas pessoas, contar a história completa de Matthew.

Com direção da vencedora do Emmy® Mary Robertson, a série de três partes percorre toda a trajetória de Matthew Perry, desde sua ascensão à fama e suas batalhas pessoais até as circunstâncias trágicas de sua morte e, por fim, o legado que ele deixou. 

“Senti um compromisso renovado de fazer uma homenagem a ele, sua voz e o homem por trás de Chandler Bing”, comenta a diretora. 

A série também marcou a primeira vez que Mia Perry Bowick falou sobre o irmão diante das câmeras. Ela conta que o documentário é um retrato cheio de alegria e dor, em partes iguais: “Aprendi a ter gratidão mesmo estando em luto. Isso resume como me senti quando assisti ao documentário”.

É a voz dela, principalmente, que conduz a série. “Mia conseguiu expressar experiências que são só dela, mas que claramente carregam um aspecto universal. Ela articula tudo isso de um jeito que vai ajudar o público a refletir e se sentir acolhido”, diz Mary.

Confira as 12 maiores revelações de Aquele Sobre Matthew Perry, além de mais reflexões de Mary e Mia. 

1. Bruce Willis fez uma participação especial em Friends porque perdeu uma aposta.

Um dos momentos mais legais do documentário revela a história por trás dessa famosa participação especial em Friends. Jonathan Lynn, que dirigiu Bruce Willis e Matthew Perry na comédia Meu Vizinho Mafioso, de 2000, explica: “O Bruce fez uma aposta com o Matthew. O Bruce achava que o filme seria um fracasso, e o Matthew, que seria um sucesso. Se o Bruce perdesse, teria que fazer uma participação em Friends”. O filme acabou sendo um sucesso e, por isso, o público curtiu a atuação de Bruce no papel do pai de uma namorada de Ross (David Schwimmer).  

2. Chandler usava o humor como máscara (algo que Matthew conhecia muito bem).

Em uma entrevista de áudio que integra o documentário, Matthew conta que, ao ler o roteiro de Friends, achou Chandler uma pessoa muito parecida com ele, com o mesmo ritmo: “Era sobre um cara que estava tentando disfarçar de todo mundo o quanto ele era infeliz sendo engraçado”. 

Como tantas outras pessoas, Mary Robinson conheceu Matthew em Friends. “Ele estava na minha sala toda semana, sempre no mesmo horário. E interpretava aquele personagem com uma simpatia e uma vulnerabilidade que eram só dele, além de ter um talento incrível para a comédia física e um timing extraordinário”, explica a diretora. 

3. O abuso de substâncias começou com uma lesão no set.

A série aponta que Matthew começou a usar analgésicos por conta de um ferimento sofrido durante as filmagens de E Agora, Meu Amor?, de 1997, em que ele teve seu primeiro papel de protagonista.

No documentário, Doug Draizin, produtor do filme, conta que, durante uma pausa para o almoço nas locações no Lago Mead, “Matthew conseguiu permissão para andar de jet ski. Ele foi lançado no ar e acabou se machucando”. 

“Eu não tinha ideia do que estava acontecendo. O médico me deu um comprimido num pacote e mandou eu tomar quando as filmagens acabassem. Eu tomei e senti uma euforia incrível. Por que eu não tomaria mais?”, diz Matthew, em um clipe de áudio. 

“Vai saber como teria sido se aquele acidente não acontecesse”, reflete Doug Draizin.

4. Durante as filmagens do casamento de Chandler e Monica, Matthew estava entrando e saindo de clínicas de reabilitação.

Um dos momentos mais impactantes do documentário é a revelação de que o casamento de Chandler e Monica (Courteney Cox), na temporada 7, foi gravado durante o tratamento de Matthew. Mia conta que familiares do ator compareceram à gravação, e o evento ganhou um significado muito maior por causa do estado de saúde dele e da convicção com que ele atuou naquele dia.

“Eu acho que a verdade não dita que todos nós pensamos de um jeito ou de outro era: ‘Será que esse é o casamento dele?’, diz Mia, no documentário. “Quando Matthew disse os votos dele para ela, a emoção nos olhos dele e tudo aquilo foi tão real”, continua ela.

5. Uma música da banda Train era a trilha sonora das manhãs de Matthew durante a reabilitação.

O documentário retrata os pequenos rituais que sustentaram a jornada de Matthew. Tim Harrington, que conheceu o ator em uma reunião de reabilitação em 2001, relembra: “A gente ia toda manhã às 7h30 em West Hollywood no Log Cabin, uma reunião da AA famosa… Ouvíamos ‘Drops of Jupiter’, do Train”.

6. No auge da fama, Perry acolheu um amigo que estava prestes a ter uma recaída. 

O mesmo Tim Harrington conta que, certa vez, ligou para Matthew quando estava prestes a ter uma recaída e pensando em morar no próprio carro. Matthew não permitiu que isso acontecesse. “Ele disse que eu podia pegar minhas coisas para morar com ele. Ele salvou a minha vida ali naquele momento. Eu acredito nisso”, explica Tim, no documentário.

Segundo a diretora, Matthew ajudou muitas pessoas que estavam em processo de reabilitação, tanto por meio de ações públicas quanto privadas. “Tenho muita sorte de que Tim Harrington, que foi um amigo muito próximo dele, tenha decidido participar do documentário”, comenta ela.

7. Em 2018, uma perfuração no intestino quase matou Matthew e fez com que sua irmã se tornasse sua procuradora legal.

A série detalha a crise de saúde que deixou Perry em coma em 2018, com sepse e o intestino perfurado. Na ocasião, ele foi colocado em um aparelho ECMO. Em uma entrevista que aparece no documentário, o ator relembra como chegou perto da morte: “Me deram 2% de chance de sobreviver naquela noite. Me colocaram no ECMO, que é o último recurso. Cinco pessoas ficaram no ECMO naquela noite, e as outras quatro morreram. Mas, de alguma forma, eu sobrevivi”. 

Na série, Mia conta que a situação foi ainda mais dolorosa porque ele estava na mesma UTI em que ela tinha dado à luz, umas seis semanas antes. Com a vida do irmão por um fio, ela foi nomeada procuradora dele. “De certa forma, eu me senti honrada de ser a pessoa a fazer essas escolhas pelo meu irmão. Mas eu também sentia bastante ansiedade e muita pressão. Eu meio que estava mal me aguentando”, comenta ela.

8. Um boneco do Batman revelou o amor de longa data de Matthew pelo herói mascarado.

Quando Matthew saiu da UTI, sua irmã encontrou um boneco do Batman debaixo da cama dele. “Ele era totalmente obcecado pelo Batman desde pequenininho”, conta Mia no documentário, revelando que ele tinha “uma coleção impressionante de coisas do Batman”. 

Mia explica ao Tudum que acredita que o boneco do Batman tenha sido levado pelo assistente de Matthew. Mas a realidade é que esse Batman dava um jeito de, misteriosamente, acompanhar o ator pelo hospital. “Não entendo como o boneco foi do pronto-socorro para a cirurgia e, depois, de volta para a UTI”, diz ela. Com o tempo, ele virou uma espécie de talismã itinerante, que ficou no quarto do hospital e depois na casa de Matthew durante a recuperação. 

9. Depois do reencontro de Friends, a irmã de Matthew começou a encarar o problema dele como “uma doença terminal”.

Uma fala de Mia na série marca uma mudança profunda. Depois das gravações do reencontro de Friends, em 2021, ela diz que começou a pensar na doença do irmão “como uma coisa terminal”. Ela explica ao Tudum que, a duras penas, conquistou muita sabedoria com tudo isso: “Não dá para amar alguém e, ao mesmo tempo, tentar controlar essa pessoa. Por isso, assim que aprendi a deixar de lado a ideia de que era minha responsabilidade manter meu irmão vivo, consegui estabelecer uma conexão muito mais autêntica e um amor mais verdadeiro com ele. Por sorte, isso aconteceu justamente nos últimos anos de vida dele”. 

10. O livro de memórias representa a montanha que Matthew passou a vida tentando escalar.

Quando Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível, livro escrito por Matthew em 2022, se tornou best-seller, as pessoas mais próximas perceberam que ele ficou em paz. “A gente nunca tinha visto ele tão feliz”, afirma Mia, no documentário. O livro de memórias representou “a maior conquista profissional da vida dele. Ele passou a vida inteira tentando escalar uma montanha. Ele tinha se esforçado muito e vivido muitas dificuldades e passado por aquele monte de coisas, mas ele tinha conseguido chegar no topo da montanha”, diz ela, imaginando o irmão admirando uma linda vista.

Mary Robinson comenta que leu as memórias de Matthew de uma vez só: “Foi o livro de memórias mais sincero que eu já li, escrito por alguém que enfrentou o uso de substâncias. É engraçado, contundente e angustiante ao mesmo tempo”. 

Ele sempre foi um dos meus maiores confidentes, e continua sendo.
Mia Perry Bowick, irmã de Matthew Perry

11. A morte de Matthew, “além de trágica, foi criminosa”.

Quando Matthew Perry foi encontrado morto na banheira da própria casa em Los Angeles, em 28 de outubro de 2023, as pessoas mais próximas acharam que tinha sido algo natural. “A história que a maioria de nós pensava que tinha acontecido era que ele tinha tido um infarto enquanto estava na hidro dele. Mas todo mundo estava aguardando o resultado da autópsia”, diz Mia, no documentário. 

O serviço médico legista afirmou que o ator de 54 anos morreu devido a efeitos agudos da quetamina. A série aborda o falecimento dele com respeito e cuidado. “É importante compartilhar o que sabemos sobre as circunstâncias que envolveram a morte de Matthew”, comenta Mary.

A parte 3 da série deixa o luto de lado e se concentra na busca por responsáveis, acompanhando a investigação federal sobre as pessoas que forneceram a quetamina que causou a morte de Perry. Era “uma ampla rede criminosa clandestina”, nas palavras de E. Martin Estrada, o ex-promotor dos Estados Unidos que apresentou o caso. 

Como mostra o documentário, Matthew procurava novas fontes para obter a quetamina, que começou a usar de forma recreativa depois de receber uma receita dos médicos Salvador Plasencia e Mark Chavez.

Segundo relata Estrada no documentário, uma mulher chamada Jasveen Sangha “cultivava uma persona glamourosa como a rainha da quetamina e vendeu a dosagem que acabou resultando na morte do Sr. Perry” por meio de um intermediário, Erik Fleming.

Enquanto isso, Kenny Iwamasa, assistente de Matthew que também morava com ele, “algumas vezes foi o intermediário para obtenção de quetamina, outras vezes, administrava a droga”, explica Estrada na série. 

Em 2025, Salvador Plasencia foi condenado a dois anos e meio de prisão, e Mark Chavez, a oito meses de prisão domiciliar. Ambos perderam suas licenças médicas. No início de 2026, Erik Fleming foi condenado e pegou pena de dois anos, enquanto Jasveen Sangha recebeu a sentença de 15 anos de prisão. Além disso, em maio de 2026, Kenny Iwamasa recebeu uma pena de três anos e cinco meses. 

Mia optou por comparecer aos julgamentos. Na série, ela relata que sentiu uma espécie de catarse, libertação e redenção, como se tivesse tirado um peso que carregava desde que Matthew morreu. “Eu sentia que não conseguia nem começar a processar a complexidade dos julgamentos até que todos estivessem concluídos. Comecei esse processo de verdade nos últimos meses. Então, ainda estou bem imersa nisso tudo, mas estou no caminho certo”, diz ela ao Tudum.com.

12. O documentário termina com a música favorita de Matthew. Segundo sua irmã, é com essa música que ela consegue sentir a presença dele. 

A série termina com Mia descrevendo a música favorita de Matthew — “Rainbow Connection”, interpretada por Jim Henson no papel de Kermit em Muppets: O Filme. Depois de uma pausa, a diretora Mary Robertson comenta: “Acho que ele está muito presente nesse momento”. Segurando as lágrimas, Mia responde: “Todo mundo diz: ‘Oi, Matty’”. 

Antes disso, ela descreve ter sentido a presença póstuma de Matthew pela primeira vez durante o enterro dele: a sensação de que ele se inclinava por cima de seu ombro para soltar um comentário, “Que bizarro isso aqui, hein?”. Ela conta que, desde então, essa presença continua por perto.

“Este ano, uma pessoa próxima também estava enfrentando uma doença terminal. Todas as noites, eu ia para o quintal, me sentava e conversava com Matthew sobre o que eu estava vivendo em relação a essa pessoa querida, que recebia cuidados paliativos. A melhor forma de explicar é dizer que a sensação é a mesma que eu teria se ele estivesse, de fato, sentado ali fisicamente ao meu lado. Eu me sinto acolhida, apoiada, amada, amparada. Ele sempre foi um dos meus maiores confidentes, e continua sendo”, explica ela ao Tudum.com.

Aquele Sobre Matthew Perry já está disponível.

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