





A temporada 4 de O Poder e a Lei apresenta um novo Mickey Haller. O advogado de defesa, normalmente calmo e controlado, começa a trabalhar no caso mais importante de sua carreira. Só tem um porém: desta vez, ele é o réu — e a situação parece cada vez mais complicada.
A mais recente temporada da série foi baseada em The Law of Innocence, sexto livro da série Advogado de porta de cadeia, do escritor Michael Connelly. Ao longo dos episódios, Mickey luta para provar que é inocente em um caso de assassinato mesmo depois que um corpo é encontrado no seu carro ao final da temporada 3. Para Ted Humphrey, criador, produtor executivo e um dos showrunners da série, Mickey agora tem que enfrentar os inimigos que fez pelo caminho, que estão tramando para derrubá-lo após a ascensão meteórica do personagem nas primeiras três temporadas.
“Sabíamos que a temporada 4 seria a mais emotiva e pessoal de todas”, diz Ted ao Tudum. Com tanta coisa em jogo e tantos personagens do passado retornando, Mickey está praticamente no fundo do poço, e Manuel Garcia-Rulfo acha que isso traz um desafio empolgante depois de interpretar uma versão inabalável do advogado de Los Angeles por três temporadas. “Eu já tinha interpretado o Mickey Haller que podia fazer tudo. Nesta temporada, ele está realmente desanimado. Ele até tenta não deixar transparecer mas, no fundo, sabe que provavelmente esse é o fim da linha”, comenta o ator.
Além de figuras vingativas de temporadas anteriores, pessoas muito próximas de Mickey, como Maggie McPherson (Neve Campbell), Lorna Crane (Becki Newton), Izzy Letts (Jazz Raycole), Cisco Wojciechowski (Angus Sampson) e Legal Siegel (Elliott Gould), também retornam na temporada 4 para ajudar o advogado a provar sua inocência e restaurar sua reputação. Será que vai dar certo?
Abaixo, examinamos todos os detalhes da temporada 4 de O Poder e a Lei com a ajuda de Ted e Manuel, além da showrunner e produtora executiva Dailyn Rodriguez e da atriz convidada Constance Zimmer.

A temporada 3 termina com um suspense daqueles: Mickey é parado pela polícia e, no porta-malas do Lincoln Continental do advogado, está o corpo de Sam Scales (Christopher Thornton). A nova temporada começa com Mickey já atrás das grades, aguardando o julgamento pelo assassinato de Sam. “Não retomamos a história imediatamente após a última cena da temporada 3. Em vez disso, mostramos ao público logo de cara o que a prisão significa para Mickey e para todos os nossos personagens”, comentam Ted e Dailyn.
Sam Scales, vale lembrar, era um vigarista com muitas identidades e um personagem secundário de O Poder e a Lei desde a temporada 1. Ele inclusive chegou a ser representado várias vezes pela Haller e Associados. Mas, como bom golpista, sempre deu um jeito de não pagar os honorários. No episódio 7 da temporada 3, Mickey lhe dera um aviso: “Se não pagar a gente, você tá morto”. Não à toa, pega muito mal para Mickey quando o ex-cliente de fato aparece morto.

“Ela é uma das antagonistas mais impetuosas no universo de Mickey Haller”, diz Ted. Dana Berg (Constance Zimmer) é a promotora no julgamento de Mickey. O advogado, aliás, já enfrentou Berg e a derrotou em um outro caso, então ela está sedenta por uma vitória. Agora que é réu e também advogado de defesa, Mickey vai ter muito trabalho pela frente. “Sabíamos que precisávamos de uma atriz especial para interpretar esse papel e a Constance foi a pessoa certa. Ela está incrível,” completa ele.
Maggie, que também é promotora, já sabe do que Berg é capaz — e isso aumenta ainda mais a tensão quando a ex-mulher de Mickey passa a atuar ao lado dele na defesa. “Criamos um passado em comum para Maggie e Dana Berg que vai muito além do que está no livro, até porque queríamos desenvolver a relação entre as duas. Assim que começamos a trabalhar na temporada, já queríamos acompanhar as cenas entre Neve e Constance. E elas não decepcionaram. Foram cenas ótimas, tanto dentro quanto fora do tribunal”, comenta Ted. Constance complementa, dizendo que as cenas com Neve estão entre suas favoritas. “É muito raro ter duas mulheres poderosas e determinadas num embate forte como o delas. As duas estão envolvidas de corpo e alma, mas de lados totalmente opostos”, explica a atriz ao Tudum.
Apesar dos atritos de Dana com Mickey e Maggie, Constance Zimmer diz que essas experiências não são a única razão para a personagem querer vencer o caso. “A motivação da Dana é a verdade. Na cabeça dela, o assassinato aconteceu do jeito que aconteceu e ela quer garantir que a pessoa certa seja condenada. Esse é o trabalho dela. Sim, existem algumas questões do passado, mas ela não é dessas.”
Ao longo do julgamento, Mickey e Maggie suspeitam que a procuradoria esteja usando táticas desonestas — incluindo, por exemplo, violar os ditames do compartilhamento de provas e ocultar o depoimento de testemunhas. Artimanhas como essas fizeram Berg ganhar a reputação de casca-grossa, além de lhe render vários apelidos, como “Dana Corredor da Morte” e “Iceberg”. Lorna inclui ainda “Olho de Peixe Morto” e ”Fake Berg”.
Muitos desses apelidos aparecem também no livro que inspirou a temporada, The Law of Innocence. “Michael Connelly adora apelidos”, explica Ted. Dailyn complementa: “Só brincamos um pouco com os termos e tiramos proveito do fascínio de Lorna pelos apelidos da promotora”. No entanto, os inúmeros apelidos também refletem toda a pesquisa que a equipe fez para a série. “Entrevistamos um procurador federal dos EUA, e ele nos disse que todos os juízes ganham apelidos”, comenta Dailyn. Para Constance, as alcunhas são também um lembrete da frieza que a personagem deveria ter. “Sempre que eu me deparava com um, me lembrava de como a Dana precisava ser”, diz ela.

Dana Corredor da Morte não é a única pessoa que tem um apelido criativo nos tribunais de Los Angeles. Nesta temporada, a ex de Mickey demonstra o motivo pelo qual é chamada de Maggie “McFeroz” ao entrar para a equipe de defesa dele lá no episódio 5. “Já faz quatro temporadas que Neve interpreta uma advogada feroz, como o próprio apelido indica. Mesmo assim, nunca tínhamos tido a chance de testemunhar esse lado dela, até porque as histórias que contávamos não davam espaço para isso. Ficamos muito felizes de conseguir fazer isso agora”, diz Ted.
Maggie aparece para salvar o dia depois que Lorna chega ao limite por conta dos vários casos que pegou para tentar manter a firma e, claro, por conta do estresse de atuar como advogada de defesa ao lado de Mickey. A decisão reflete não só a evolução do relacionamento entre Maggie e Mickey ao longo da série, mas também o quanto a dinâmica entre as duas mulheres mudou. “Na temporada 1, Lorna se sentia um pouco intimidada por Maggie e elas tinham uma relação muito tensa, até porque as duas são ex-mulheres do mesmo homem. Na nova temporada, as circunstâncias obrigaram as duas a desenvolver uma relação de trabalho. Elas precisam encontrar um jeito de se dar bem e trabalhar juntas, e é legal observar a amizade que está surgindo entre elas”, analisa Ted.
Ao longo da temporada, Maggie acaba se tornando uma espécie de porto seguro para o ex — primeiro como amiga, depois como advogada. “Eles estavam tentando se manter afastados, e a mudança dela para San Diego criou a distância necessária. Mas esse novo papel a leva de volta para a vida dele de uma forma muito intensa e emotiva”, diz Dailyn.
Ted encontrou nesta temporada uma oportunidade de resgatar a relação mais importante e complexa da série. “A relação entre Mickey e Maggie tem um papel emocional central não só na série, mas também na vida de Mickey. O público sempre vai acompanhar e torcer por esses dois. No livro, Maggie é crucial para a história e queríamos respeitar isso. Também sabíamos que, neste momento da série, era necessário dar mais destaque para a personagem dela”, explica.
Ao trabalhar com Mickey, Maggie também tem a chance de conhecer um outro lado do ex-marido, principalmente porque as opiniões conflitantes de ambos sobre o sistema jurídico atrapalhavam muito a relação. “Isso faz Maggie perceber, pela primeira vez na vida, como é estar do outro lado. E, por conta disso, ela consegue entender Mickey um pouco melhor.”
Legal Siegel é o mentor de Mickey e, além disso, a única pessoa que sempre conseguiu compreender o advogado. Antigo sócio do pai de Mickey, que já faleceu, Legal foi uma figura importante ao longo da série. Ele estava sempre disponível para ter conversas sérias sobre a área do Direito, fazer comentários irreverentes e dar conselhos sensatos. Mas, no episódio 6, a temporada ganha um peso emocional ainda maior com a morte inesperada do personagem.
Após descobrir que Sam Scales devia honorários a Mickey, a Promotoria apresenta uma nova acusação de homicídio qualificado com a circunstância especial de assassinato por ganho financeiro. O juiz Lionel Stone (Scott Lawrence) oferece duas opções à defesa: manter a fiança atual de Mickey e abrir mão do direito ao julgamento rápido, ou então revogar a fiança e recolher o réu à prisão, mantendo a data do julgamento rápido. Não é uma escolha difícil para Mickey, que só quer acabar logo com o julgamento. O problema é que, de repente, ele recebe a notícia trágica da morte de Legal. Agora, retornar à prisão significa perder o enterro de seu querido amigo. Mesmo arrasado, Mickey segue determinado a manter o julgamento rápido. “Quando li o roteiro desse episódio, fui às lágrimas”, revela Manuel.
O episódio 7 começa com Legal visitando Mickey em um sonho. Na última cena de Elliott Gould, o sábio personagem oferece o mesmo tipo de incentivo bem-humorado que sempre dava em vida. Mickey pergunta: “O que eu vou fazer sem você, Legal?”. Ele responde: “A mesma coisa que você fez comigo. Dá seu jeito”. De acordo com Dailyn, que dirigiu o episódio, a morte se encaixou perfeitamente na história desta temporada. “Legal era praticamente um pai substituto para o Mickey. Ele estava sempre lá quando o Mickey buscava conselhos para resolver os casos. Agora, nosso protagonista precisa confiar em si mesmo e na equipe”, explica ela.
Ted revela que trabalhar com Elliott ao longo da série foi “uma honra e uma grande emoção”, principalmente porque o lendário ator tem uma ligação profunda com o gênero que inspirou O Poder e a Lei. “A estética da nossa série foi muito influenciada pelos grandes filmes noir da Califórnia. Um desses filmes é O Perigoso Adeus, estrelado por Elliott. Então existe algo um pouco metalinguístico na presença dele na nossa série, agora com mais idade e em um papel diferente. É uma conexão viva e real com aquela época e aquele estilo”, diz Ted.
Apesar de todas as lágrimas, abraços e aplausos após a última cena de Elliott, Dailyn explica que a aparição de Legal em um sonho de Mickey logo após sua morte deixa aberta a possibilidade de que o personagem acabe retornando de alguma forma na próxima temporada. “Olha, nunca dizemos nunca em O Poder e a Lei. Quer dizer, nós já temos alguns fantasmas e flashbacks”, diz ela. Ted completa: “Quem sabe ele não aparece de novo algum dia?”.
Em determinado momento, Mickey e a equipe descobrem que pouco tempo antes de ser assassinado, Sam Scales (usando o nome de Kirk Lennon) havia tirado a carteira de motorista profissional e constituído uma empresa limitada chamada Air-King Trucking. Ela tinha um único cliente: a BioGreen, empresa que supostamente converte resíduos biológicos em biocombustível. Como Mickey explica no episódio 4, “rola muita grana em energia limpa. Onde tem dinheiro, tem golpe, e onde tem golpe…”. É Izzy quem completa a frase: “Tem o Sam”. E eles acertam na mosca! A última e derradeira armação de Sam envolvia fraudar o governo para obter os subsídios oferecidos às empresas de biocombustível. Só que, desta vez, ele estava trabalhando com outra figura do passado de Mickey.
Na temporada 2, Mickey defendeu Lisa Trammell (Lana Parrilla), que havia sido acusada de assassinar um rico incorporador, Mitchell Bondurant. Mickey ganhou o caso, alegando que Lisa havia sido falsamente incriminada pelo proprietário de uma empresa de construção chamado Alex Grant (Michael A. Goorjian). Esse homem, aliás, era investigado pelo FBI por uma possível ligação com a máfia armênia. Quando foi levado a testemunhar, Alex invocou a quinta emenda da Constituição, ficou parecendo culpado e perdeu um grande contrato de construção.
Três anos mais tarde, após descobrir que o esquema de Sam envolvendo subsídios para biocombustíveis estava sendo investigado pelo FBI, Mickey consegue um mandado para obter todas as informações coletadas pela agência. O problema é que os agentes federais não gostam nada dessa história. Ao final do episódio 4, dois agentes do FBI aparecem na casa de Mickey e o ameaçam. Um deles é Felix Vasquez (Hemky Madera), que Mickey reconhece como o agente que estava preparando um caso contra Alex na temporada 2.
Depois disso, a equipe descobre que Alex Grant, agora conhecido como Alex Gazarian, estava gerenciando o esquema junto com Sam. Izzy e Cisco constatam que a BioGreen pertence a Jeanine Ferrigno (Emmanuelle Chriqui), que por acaso é namorada de Gazarian. “É clássico de máfia”, diz Mickey. Mais tarde, ele explica para seu mentor, Legal, que Gazarian provavelmente queria se vingar do próprio Mickey e de Sam. “Eu ainda não posso provar, mas acho que o Sam estava falando com o FBI. E se o Gazarian descobriu?”, questiona.

Sim! Logo nas primeiras cenas do episódio final, Mickey é sequestrado pela escolta policial designada pelo tribunal e levado até um pátio ferroviário abandonado. No local, a agente Dawn Ruth (Sasha Alexander), que tentara intimidar Mickey, confirma as suspeitas dele. Sam era um informante do FBI na investigação sobre o esquema de Gazarian. Mas, se os agentes testemunharem sobre isso no tribunal, a investigação ficará comprometida. Vale lembrar que, se eles de fato testemunhassem, Mickey seria exonerado porque isso tudo indicaria que Gazarian tinha um motivo para matar Sam.
“Não é só um golpe isolado. Está acontecendo em todo o país. Os atores por trás do golpe também são os mesmos. Alguns dos maiores grupos de crime organizado dos Estados Unidos, faturando milhões”, explica Ruth. Por isso, o FBI queria que Mickey ficasse de boca calada. Mesmo que, por conta disso, ele fosse parar atrás das grades por um crime que ele não cometeu.

Nosso advogado protagonista estava certo: Gazarian mandou matar Sam e incriminou Mickey. Mas o motivo do crime não foi bem aquilo que Mickey achava. Depois que Gazarian é morto por mafiosos por causa da comoção em torno da morte de Sam, a namorada dele, Jeanine, decide fugir com Cisco (que, por sua vez, espera contar com a ajuda dela no caso de Mickey). Depois disso, ela conta para Maggie exatamente o motivo pelo qual Gazarian matou Sam. Na verdade, Gazarian não tinha ideia de que Sam estava falando com o FBI, mas ficou furioso ao descobrir que ele desviava dinheiro do esquema dos biocombustíveis. Nas palavras de Maggie, “o Sam estava dando golpe nos golpistas”. E, no fim, um desses golpes acabou lhe custando a vida.

Não exatamente. Mas, no final, ele consegue limpar o próprio nome. Com a morte de Gazarian, a única esperança para Mickey provar sua inocência no tribunal é fazer Jeanine prestar depoimento. Só que isso é quase impossível: ela tem medo de sofrer retaliação dos mafiosos que mataram seu namorado, e Mickey e Maggie não têm como oferecer proteção em troca do depoimento. Por isso, com a ajuda de Lorna e da nova namorada de Izzy, Grace (Gigi Zumbado), Mickey dá um jeito de fazer a Promotoria proteger Jeanine, convencendo o FBI de que ela vai depor — o que prejudicaria a investigação da agência.
No episódio final da temporada, enquanto aguarda Mickey chamar Jeanine para testemunhar, o juiz Stone recebe um bilhete que muda tudo. Ele é forçado a pedir um recesso e ordena que os advogados se dirijam à sala dele. Lá dentro estão a agente Ruth, o promotor Adam Suarez (Philip Anthony-Rodriguez) e Steven Tremblay (Larry Poindexter), agente especial responsável pelo escritório do FBI em Los Angeles. Tremblay explica que Jeanine não pode testemunhar porque sua vida está em perigo devido à conexão que tem com a investigação. Para garantir que o depoimento dela não seja mais necessário, o gabinete da promotoria está disposto a retirar as acusações contra Mickey — mas só se ele permanecer em silêncio até que o caso federal seja encerrado. O problema? Ninguém sabe quanto tempo isso vai levar.
A situação, claro, deixa Dana Berg revoltada, até porque ela vinha se empenhando para fazer com que Mickey Haller fosse condenado. “É preciso mostrar a vulnerabilidade e a insegurança dos personagens. Eles são assim por um motivo, e se não permitirmos que eles sejam vulneráveis, fica difícil para o público se identificar com eles”, pondera Constance sobre o momento em que Dana deixa transparecer, diante de todos na sala do juiz Stone, o quanto a proposta do promotor a deixou abalada. “Eu sempre procurava maneiras de mostrar que ela é um ser humano. Ela é muito boa no que faz, mas isso não quer dizer que o trabalho não a afete.”
Como em todos os seus casos, Mickey é movido por um senso de justiça. A retirada das acusações em troca do seu silêncio não é suficiente, principalmente porque sua carreira está em jogo. Por isso, ele diz ao promotor Suarez que Dana Berg precisa exonerá-lo publicamente. “Ele é um personagem que está disposto a sacrificar tudo pela verdade”, diz Manuel. Para Mickey, é crucial que não existam dúvidas quanto à sua inocência. “Ele prefere ir para a cadeia do que ter essa nuvem pairando sobre ele. Ele sempre se arrisca, sempre dá um salto no escuro em busca do que é justo”, completa ele.
Para a indignação de Dana, o promotor aceita. Jeanine é colocada em custódia protetiva e o nome de Mickey, enfim, fica limpo. Ao caminhar pelo corredor do tribunal, Mickey percebe que o pesadelo acabou e é só então que desaba em lágrimas nos braços de Maggie. “A temporada inteira nos levou até ali. É um momento simples. Não é uma cena grandiosa e demorada e nenhum dos dois personagens diz muito. E, por isso mesmo, ela fica ainda mais poderosa”, diz Ted.
“Ele percebe que por muito pouco não acabou na prisão. Também adorei a forma como Liz Friedlander filmou a cena, com as pessoas seguindo suas vidas normalmente sem fazer ideia de que algo terrível havia acontecido e que a vida desse homem quase foi transformada para sempre. A ausência de palavras é a melhor parte”, completa Dailyn. Para Manuel, Mickey só poderia viver esse momento poderoso de vulnerabilidade genuína com a ex-mulher. “As cenas com Maggie são as mais intensas. Ao longo de toda a série, é nas cenas com Maggie que podemos conhecer quem o Mickey realmente é”, diz ele.

Como o advogado de defesa mais badalado de Los Angeles, Mickey Haller sabe bem que o sistema judicial dos EUA tem suas falhas. Mas, ao final da temporada 4, ele está ainda mais consciente desse fato. “Ser acusado injustamente de algo, ficar um tempo na prisão e ter que lutar pela própria vida ou liberdade é algo fundamentalmente diferente de fazer isso em nome de um cliente. Não tem como isso não mudar uma pessoa. Agora, o que essa mudança vai representar para Mickey ou como ela vai se manifestar em sua vida é algo que estamos empolgados para explorar daqui para frente”, comenta Ted.
Enquanto isso, Mickey está feliz de poder saborear um pozole em casa com a filha, Hayley (Krista Warner), e Maggie, que se permitiu começar a reconstruir um forte laço com o ex-marido. No final, enquanto mãe e filha retornam para San Diego, Maggie revela que sente falta de morar em Los Angeles e também sente saudades de Mickey. “A cena no final da temporada, com a Hayley, é muito importante. Quando elas partem de carro, começamos a perceber como Maggie realmente se sente em relação a tudo isso, e talvez seja um pouco diferente do que ela achava”, diz Ted. Ainda assim, Maggie explica para Hayley: “É complicado. Sempre foi complicado entre o seu pai e eu. Mas a minha vida é em San Diego agora, e eu tenho que fazer dar certo.”
Isso significa que, pelo menos por enquanto, o futuro de Maggie e Mickey permanece incerto. Manuel completa: “Muitas pessoas me param na rua para perguntar quando é que eles vão ficar juntos. Honestamente, não sei. Só sei que ela é o amor da vida dele”. Mas, com a temporada 5 já em desenvolvimento, o ator está tão ansioso quanto o público para descobrir como vai se desenrolar a relação entre os dois. “Vamos ter que esperar. Mas eu estou empolgado para ler os roteiros”, diz.
Com a poeira baixando após a exoneração, Mickey sai para dar uma volta no seu Lincoln Continental e toma a decisão raríssima de preparar o jantar. Ele então vai fazer compras em um mercado e, lá, nota que está sendo observado por uma mulher (interpretada por Cobie Smulders). Enquanto ele volta para o carro, ela se aproxima e, quando está prestes a se apresentar, tiros são disparados. A mulher empurra Mickey para o chão, salvando sua vida, e a agente Ruth aparece para dizer que a máfia armênia ainda está atrás dele. Depois que a situação é controlada pela polícia, Mickey pergunta à mulher quem ela é. A resposta é chocante: “Na verdade, eu sou sua irmã.” Como é típico de O Poder e a Lei, a temporada termina com um suspense dos grandes.
De acordo com Ted e Dailyn, essa nova personagem será muito útil para a equipe explorar a conexão entre Harry Bosch e Mickey Haller (algo que os fãs dos livros adoram) só que de um jeito especial para a série. “Sempre tivemos vontade de expandir as relações familiares de Mickey. Era algo que talvez estivesse faltando na série. Isso tudo nos inspirou a criar uma personagem que, em alguns aspectos, lembra aquilo que temos nos livros. Mas é uma pessoa totalmente diferente, uma personagem bem distinta, com uma história própria”, explica Ted.
Além disso, a cena final abre muitas possibilidades. “Primeiro, a pergunta óbvia: será que ela está falando a verdade? Será que ela é mesmo irmã dele? E, se for, o que isso significa? Mickey tem uma ideia muito específica de si mesmo e da própria história. Mas e se essa história for maior do que ele imagina?”, completa Ted.
Reviva todas as emoções dos episódios ou então assista agora mesmo às temporadas 1 a 4 de O Poder e a Lei.












































































