Final explicado da temporada 2 de O Poder e a Lei - Netflix Tudum

  • Tá sabendo?

    Qual é o veredito no final da temporada 2 de ‘O Poder e a Lei’?

    Manuel Garcia-Rulfo analisa as provas.

    Texto original de Phillipe Thao
    6 de jul. de 2023

🤐 ALERTA DE SPOILER 🤐

Todas as entrevistas deste artigo foram realizadas antes da greve da WGA e da SAG-AFTRA.

Mickey Haller (Manuel Garcia-Rulfo) tem uma sorte e tanto no tribunal, mas precisa ficar bem longe dos estacionamentos.

A parte 1 da temporada 2 de O Poder e a Lei termina com o advogado apanhando em um estacionamento e também volta no tempo para mostrar o que levou a esse ataque. Três meses antes da agressão, Mickey desfruta da fama depois de vencer o caso importante de Trevor Elliott, no fim da temporada 1. “Esse sucesso trouxe mais confiança, mas ele também fica um pouco convencido”, conta Manuel ao Tudum. Mickey está com tudo e arruma mais um caso de grande repercussão.

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A saga do advogado por justiça ganha um novo capítulo quando ele conhece Lisa Trammell (Lana Parrilla), chef aclamada e ativista. Rola um clima entre eles, mas logo Lisa deixa de ser paquera para virar cliente. Quando Mitchell Bondurant (Clint Carmichael), incorporador famoso por sua frieza, aparece morto, ela é detida e acusada de homicídio. Lisa sempre se posicionou contra a gentrificação de Frogtown, bairro do seu restaurante, e os planos de Mitchell colocavam em risco tanto o negócio quanto a vizinhança. Com diversas provas da rivalidade pública entre os dois, ela se torna a principal suspeita desse caso espinhoso. À medida que o julgamento e a relação de Mickey com a cliente se intensificam na parte 2 da temporada 2, ele precisa se concentrar em provar a inocência dela.

Fiel ao estilo dos episódios anteriores de O Poder e a Lei, a temporada também mostra bastante da cena gastronômica de Los Angeles, mas resta a dúvida: Lisa tem apetite para o crime também? A seguir, revisitamos a temporada 2 e destrinchamos as duas reviravoltas mais surpreendentes do final, que deixam Mickey completamente sem reação.

Parte 1 da temporada 2
David Rogers as Russell Lawson in ‘The Lincoln Lawyer’ Season 2.

Recapitulando: quem é Russell Lawson?

No primeiro episódio da temporada, Russell Lawson (David Clayton Rogers) vira cliente de Mickey após ser preso por invadir uma residência e cometer atentado ao pudor. Sob risco de enfrentar seis anos de prisão, Russell garante que foi dopado em um bar e que não faz ideia do que aconteceu. Depois que Mickey consegue soltá-lo, Russell paga ao advogado cinco mil dólares adiantados como crédito, caso algo mais aconteça.

Qual é a chantagem de Russell contra Mickey?

No mesmo dia em que tira Russell da cadeia, Mickey volta para casa e o encontra sentado no quintal dos fundos. O ex-acusado faz questão de lembrar que pagou a mais pela disponibilidade, o que oficialmente o torna cliente fixo de Mickey. Pelo dever de confidencialidade, Mickey fica proibido de repassar às autoridades o que ouve dele, e é nesse instante que tudo desanda. Russell levanta a manga e mostra uma tatuagem em japonês, revelando que era ele quem espiava Mickey surfando nas cenas finais da temporada 1. Mais do que isso: a tatuagem prova que Russell matou Martha Renteria na temporada 1, pois a testemunha-chave Gloria Dayton (Fiona Rene), conhecida como Glory Days, já havia revelado que o assassino tinha uma tatuagem de kanji no braço esquerdo.

Para tirar Mickey do encalço, Russell inverteu as regras da caçada de gato e rato e encontrou o advogado antes. Ao se dopar, contratar Mickey para defendê-lo no crime de fachada e depois ter um crédito a seu favor, Russell sai impune do assassinato, já que Mickey não pode dedurar o próprio cliente sem perder o direito de advogar.

Mickey consegue se livrar da chantagem de Russell?

No episódio 2, a arrogância de Russell finalmente sai pela culatra. Depois de levar uma multa por avançar no sinal vermelho, ele volta ao escritório de Mickey para se livrar da encrenca. Já de saco cheio dos joguinhos, Mickey topa ajudar o novo cliente. Ele registra uma contestação por escrito da multa, lacra uma cópia em um envelope e pede que Lorna ligue para Russell buscá-lo ainda naquele dia. “Ele tem que pegar hoje. Isso é importante. Hoje”, enfatiza Mickey.

Na noite desse mesmo dia, Glory Days está sozinha em casa quando alguém invade o apartamento se passando por entregador de comida. É ninguém menos que Russell, tentando matá-la. Ele põe uma faca no pescoço dela, e os dois têm um confronto. Antes que ele consiga machucá-la de fato, a polícia arromba a porta e prende Russell. Glory Days diz aos policiais que foi ele quem matou Martha, e ele é levado. Quando Russell passou no escritório para buscar o envelope, Mickey deixou de propósito os documentos de soltura e o endereço de Glory bem ao lado, sabendo que o cliente bisbilhotaria. Foi tudo planejado: Russell levou a pior por acreditar que era mais esperto que Mickey.

Lana Parrilla as Lisa Trammell in ‘The Lincoln Lawyer’ Season 2.

Como anda a vida amorosa de Mickey?

Há chamas que nunca se apagam, e é assim entre Mickey e sua ex, Maggie (Neve Campbell). No começo da temporada, os dois jantam no Elysian, um restaurante chique em Frogtown, mas o encontro não termina em clima romântico: depois de uma discussão, Maggie se levanta e vai embora. Sozinho, Mickey recebe à mesa a visita de Lisa, dona e chef da casa, que vem cumprimentá-lo. A sintonia é imediata, e a química migra da mesa para a cama em um piscar de olhos. “Mickey é uma alma ferida, ainda apaixonado por Maggie e pela família que perdeu — de novo. Já Lisa é uma alma perdida, à procura do parceiro de verdade que nunca encontrou”, descreve o showrunner Ted Humphrey.

Lana enxerga muitas camadas nesse envolvimento. “Acredito que a atração surja por motivos diferentes. Um deles é uma certa conexão cultural. Outro é a paixão que ambos têm por gastronomia. E, na minha opinião, ainda tem uma conexão sexual. Em cinco minutos, eles vão parar no quarto dela”, analisa a atriz.

Para Ted, a comida é fundamental. “É o caminho para o coração de um homem, especialmente o dele. Comida é aconchego. Existe algo instintivo nela. Sempre nos aproximamos de quem cuida de nós”, opina.

O produtor executivo Ross Fineman acrescenta que, embora Mickey seja um sujeito que ama amar, ele nem sempre acerta a mão: “Mickey continua próximo das duas ex-mulheres, mas a nova fama o torna um alvo mais fácil para todo mundo, inclusive para as mulheres. Ele está mais do que aberto a encaixar uma companhia feminina no seu ritmo agitado. Assim como faz com os clientes, uma vez que Mickey se entrega na vida pessoal, é difícil para ele considerar além da confiança que deposita na outra pessoa. Torço para ele proteger mais o coração no futuro, mas não conte com isso. Lisa tem suas próprias questões, e é complicado distinguir vontade de necessidade no caso dela”.
 

E o que desaparece do carro de Mickey na hora da surra?

Mickey encontra uma matéria sobre a adaptação do julgamento de Lisa para uma minissérie de TV a cargo do podcaster Henry Dahl (Matt Angel) e estranha a situação, pois é ele que detém a documentação dos direitos dela. Em pânico, ele liga para Lorna (Becki Newton) e a culpa pelo sumiço do contrato. Ocupada com os preparativos do próprio casamento, Lorna teria, na perspectiva dele, tirado o contrato do carro sem se dar conta. Só que a gente sabe que Lorna nunca faria uma coisa dessas.

“Você sabe que eu estou cuidando do seu escritório e administrando enquanto corre por aí cheio de preocupação. Não está com a cabeça no lugar desde que conheceu essa mulher”, retruca Lorna, mas ele não quer nem saber: “Quem eu aceito como cliente é da minha conta! Tá bom? Você não é minha sócia, Lorna”.

“Mickey deve saber o destino dos papéis ou quem os pegou. Acho que ele até prospera com obstáculos, sabe?”, afirma Manuel ao Tudum. Ele já tem suas suspeitas sobre o ladrão, mas só na parte 2 saberemos como o sumiço aconteceu.

Manuel Garcia-Rulfo as Mickey Haller in ‘The Lincoln Lawyer’ Season 2.

Quem deu a surra em Mickey no estacionamento?

Depois de revirar o escritório em busca do contrato de Lisa, Mickey entra em um estacionamento escuro e vazio para procurar no carro. Se tem uma lição que O Poder e a Lei ensina, é que o perigo está sempre à espreita. A pasta continua lá, mas os papéis desapareceram. De repente, dois homens de preto surgem. “Aí, você não é aquele advogado do noticiário?”, questiona um deles. Quando Mickey está prestes a responder, começam os socos. Seja lá quem pagou pela emboscada, a mensagem é clara: essa pessoa quer sangue. “O estacionamento foi um ótimo aceno à temporada 1. Para nós, foi divertido lembrar o público que, inesperadamente, tudo pode acontecer”, declara Ross.

E Manuel acrescenta: “Estacionamentos são espaços estranhos. Sei que muita gente diz o mesmo, mas eles são assustadores. Me deixam apavorado.”

E ele tem bons motivos para desconfiar deles, já que o assassinato de Jerry Vincent acontece em um estacionamento na temporada 1, e Mitchell Bondurant também é morto em um estacionamento na temporada atual. “Há pouco tempo, li uma matéria no LA Times sobre estacionamentos famosos de Los Angeles. Eles fazem parte da paisagem, então tem uma lógica, e resolvemos brincar com isso nesta temporada. Além do mais, quem trabalha dentro do próprio carro sempre está perto de um, não é?”, comenta Ted.

Mickey sobrevive ao ataque?

Como acompanhamos logo no começo da parte 1 da temporada 2, a meia temporada termina com Mickey caído, desacordado e ensanguentado no estacionamento. Por sorte, a parte 2 abre com ele se recuperando no hospital, rodeado por pessoas queridas.

Parte 2 da temporada 2

Por que Maggie decide se mudar para San Diego?

Mesmo divorciados, Mickey e Maggie nunca superaram de verdade um ao outro. No final do episódio 6, eles têm uma noite romântica, sinalizando um possível retorno do relacionamento. No entanto, para Maggie, o reencontro foi mais uma despedida, e ela solta a bomba na manhã seguinte: recebeu uma proposta de emprego na promotoria de San Diego e vai se mudar para lá. “Se a gente ficar, a gente vai continuar caindo nos braços um do outro”, reconhece ela, em lágrimas.

Lana Parrilla as Lisa Trammell, Becki Newton as Lorna Crane, and Manuel Garcia-Rulfo as Mickey Haller.

Foi Lisa que matou Mitchell?

Ao fim de um julgamento longo e tenso, Lisa é absolvida do assassinato. Nas alegações finais, Mickey defende que seria óbvio demais Lisa deixar as luvas de jardinagem ensanguentadas e a arma do crime à vista da polícia. “E por que essa arma surgiu convenientemente no exato momento em que Lisa estava sendo julgada? Existe um motivo. Porque alguém plantou essas coisas”, argumenta Mickey para o júri antes do anúncio do veredito.

Durante toda a temporada, mesmo nos momentos de certa desconfiança, Mickey sempre garantiu a Lisa que acreditava na inocência dela. “Mickey é o último dos que ainda acreditam de verdade. Ele diz aos clientes que a opinião dele não importa quando o assunto é culpa ou inocência, mas isso faz diferença. Quando se compromete com alguém, ele acredita nessa pessoa, apesar de nem sempre se dar bem. Mickey está determinado a acreditar que as pessoas são boas, mesmo que tenham errado no passado. Então acho que ele não considera a luva ensanguentada como uma dúvida sobre a inocência; para ele, aquilo é um obstáculo no caminho até a absolvição”, pondera Ross.

Ted concorda que Mickey se esforça para respeitar o código de advogado de defesa, segundo o qual é indiferente se o cliente é culpado ou não. “Como Mickey tanto repete, os culpados são mais fáceis porque já sabemos o que esperar, mas ele quer muito acreditar na inocência dela. Se ela for inocente de fato, o desafio dele será muito maior. Afinal, ele não pode permitir que sua cliente pague por um crime que não cometeu, por pior que pareçam as circunstâncias”, salienta Ted.

O que aconteceu entre Lisa e o primeiro marido dela?

Pelo que parece, o segredo do cultivo de coentro saudável é usar cadáver como adubo. Lisa não matou Mitchell Bondurant, mas não é totalmente inocente. Revela-se que ela matou o primeiro marido, enterrou-o no próprio jardim e contratou um ator para se passar por ele durante o julgamento. Por que Lisa o matou?

“Na minha opinião, é melhor deixar o público responder a essa pergunta por conta própria. Em qual versão você acredita? Na de Mickey, que diz que ela surtou porque Jeff estava para destruir seu sonho? Ou na de Lisa, que diz ter chegado ao limite porque ele era abusivo?”, indaga Ross. Lana aposta mais nesta última: “Ela não é uma assassina psicopata, é uma mulher. Acho que isso acontece bastante com quem vive situações de violência e abuso: se a pessoa dá um passo para se proteger, e a ação se transforma em algo ilegal e fatal, julgamos imediatamente quem cometeu o ato errado”.

Fiona Rene as Glory Days and Manuel Garcia-Rulfo as Mickey Haller

Quem é Glory Days?

Na última cena do episódio final da temporada 2, Mickey se encontra com um possível novo cliente. Julian La Cosse (Devon Graye) está preso, acusado de matar uma amiga, e quer contratar Mickey para defendê-lo. “Uma amiga recomendou você. Ela falou que, se eu tivesse problemas, eu devia chamar você. Que você é o melhor advogado da cidade. E agora ela está morta e... eu estou com problemas”, diz ele. Mickey não se recorda do nome citado por Julian, então vai até o instituto médico-legal descobrir quem é Giselle. Quando o legista puxa o lençol branco, descobrimos que o corpo é de Glory Days. Mickey e Glory já tinham colaborado no caso de Jesús Menendez, mas, na parte 1 da temporada 2, ela disse que se mudaria para o Havaí para começar um novo capítulo. Ao ver o corpo, Mickey se lembra de um cartão-postal do Havaí que recebeu dela pouco depois da mudança: “Você é a única coisa de que sinto falta em L.A. Beijos, Gloria”, assinou ela.

Segundo Ross, “será o caso mais espinhoso da carreira dele, e também da vida pessoal. Ela era amiga dele, uma pessoa de quem gostava, e ele precisa descobrir o que houve. Ainda por cima, fica a sensação incômoda de que ele pode ter tido responsabilidade nisso”.

Assista agora à temporada 2 de “O Poder e a Lei”.

Com colaboração de Tara Bitran.

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